Empresa canadense inicia sondagem em projeto de terras raras no RS

A canadense Canamera Energy Metals iniciou uma campanha de sondagem no projeto São Sepé, no Rio Grande do Sul, em mais um movimento de empresas estrangeiras para testar o potencial brasileiro em terras raras.

Segundo comunicado divulgado pela companhia nesta quarta-feira (13), o programa começou em 1º de maio e prevê aproximadamente 500 metros de sondagem por trado, em uma etapa desenhada para investigar três alvos prioritários identificados a partir de amostras rasas de solo.

O anúncio, porém, ainda deve ser lido com cautela. O projeto está em fase extremamente inicial, e a presença de alvos exploratórios ou anomalias em solo não garante que a área tenha escala, teor, viabilidade econômica ou condições ambientais e financeiras para virar uma operação mineral.

Os alvos foram batizados de Sara, Erica e Maya. De acordo com a Canamera, eles foram definidos após a análise de 46 amostras coletadas pela iFind Mining em profundidades de até 70 centímetros.

A empresa afirma que os resultados apontaram valores considerados promissores de TREO, sigla em inglês para óxidos totais de terras raras, e MREO, que representa os óxidos de terras raras magnéticas.

A companhia também destacou a presença de concentrações anômalas de disprósio e térbio, dois elementos de terras raras pesadas considerados relevantes para a cadeia de ímãs permanentes, usados em setores como veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e tecnologias de defesa.

Apesar do anúncio, o projeto ainda está em uma fase inicial. A empresa fala em alvos exploratórios e em potencial de mineralização, mas ainda não apresentou estimativa de recurso mineral, reserva, estudo econômico ou comprovação de viabilidade comercial.

Na prática, a campanha de sondagem servirá para verificar se as anomalias identificadas na superfície têm continuidade em profundidade e lateralmente. O programa deve durar entre quatro e seis semanas.

A Canamera detém uma opção para adquirir até 100% do projeto São Sepé, nos termos de um acordo firmado com a iFind Mining. Os detalhes da operação foram anunciados pela companhia em outubro de 2025.

O interesse da empresa está no potencial de mineralização de terras raras em argilas de adsorção iônica, modelo geológico que ganhou força no Brasil nos últimos anos por permitir, em alguns casos, processos menos complexos de lavra e beneficiamento em comparação com depósitos tradicionais de rocha dura.

Esse tipo de ocorrência tem despertado atenção internacional especialmente após o avanço de projetos brasileiros como o da Serra Verde, em Goiás, considerado hoje uma das principais referências fora da China na produção de terras raras a partir de argilas iônicas.

No comunicado, a Canamera compara características de São Sepé com o granito associado ao depósito Pela Ema, da Serra Verde.

A comparação, no entanto, ainda exige cautela. Sem resultados de sondagem, testes metalúrgicos e estudos independentes mais avançados, não é possível afirmar que o projeto gaúcho tenha escala, teor, recuperação ou viabilidade econômica semelhantes aos de ativos já em desenvolvimento mais maduro.

A maior parte dos furos planejados pela Canamera ficará dentro do chamado Granito São Sepé. Além da investigação direta das anomalias de solo, cerca de 400 metros da campanha serão voltados a testar a continuidade lateral da possível mineralização.

A empresa também afirma que o projeto conta com boa infraestrutura, incluindo uma rede de estradas que facilita o acesso à área e a mobilização de equipamentos de sondagem.

“Estamos animados para iniciar nosso programa em São Sepé, a fim de testar indicações de potencial mineralização de terras raras em argilas iônicas”, afirmou Brad Brodeur, CEO da Canamera.

Segundo ele, a definição de três áreas-alvo com valores relevantes de TREO em amostras de solo, além de níveis considerados encorajadores de disprósio e térbio, oferece um “caminho claro” para a próxima etapa de exploração.

O avanço ocorre em meio a uma corrida global por cadeias de suprimento de minerais críticos menos dependentes da China, que domina etapas relevantes do processamento de terras raras e da produção de ímãs permanentes.

O Brasil tem atraído interesse crescente nesse mercado por combinar potencial geológico, disponibilidade de áreas ainda pouco exploradas e projetos em diferentes estágios de maturidade, especialmente em terras raras, lítio, níquel, cobre, grafita e outros minerais considerados estratégicos para a transição energética e para novas tecnologias.

No caso das terras raras, o principal desafio brasileiro ainda é transformar potencial geológico em produção comercial e, principalmente, avançar além da etapa de concentração mineral. A maior parte da agregação de valor está nas fases seguintes da cadeia, como separação, refino, produção de óxidos de alta pureza, ligas e ímãs.

Por isso, projetos como São Sepé tendem a ser acompanhados com atenção pelo mercado, mas ainda precisam passar por etapas sucessivas de validação técnica antes de serem considerados ativos economicamente relevantes.

 

Fonte: cnnbrasil.com.br

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