IA não substituirá papel do professor em sala de aula, dizem especialistas

O CNE (Conselho Nacional de Educação) aprovou, nesta segunda-feira (11), um parecer que estabelece as diretrizes para a implementação da IA (inteligência artificial) na educação básica e no ensino superior brasileiro.  

O documento define níveis de risco, orienta a adoção da tecnologia em instituições de ensino e reforça o papel fundamental do professor como mediador pedagógico, destacando que a ferramenta não substitui a presença humana em sala de aula. 

Prós e contras 

O texto aprovado aponta que a IA pode potencializar o planejamento docente, a personalização do aprendizado e o monitoramento do desempenho acadêmico.

Especialistas ressaltam, no entanto, que o uso deve ser estratégico. “Estudos recentes, como um levantamento da Universidade de Stanford, mostram que o uso da inteligência artificial pelos alunos sem intencionalidade pedagógica tende a gerar resultados apenas no curtíssimo prazo”, afirma Igor Ventura, especialista em projetos educacionais do Grupo Eureka. Segundo ele, a regulamentação é vital para que a IA atue como uma ferramenta a serviço do educador.  

Experiências práticas nas redes públicas 

Pesquisa feita pela Ipsos e o Google com 21 mil pessoas, em 21 países, mostrou que em 2024 o Brasil ficou acima da média global no uso da ferramenta para a realização de tarefas, automatizar processos e aumentar a produtividade – com 54% dos brasileiros relatando que utilizaram IA generativa enquanto a média global ficou em 48%. 

E na educação, a tendência não é diferente. Em todo o Brasil, as redes estaduais já avançam na aplicação dessas tecnologias.  

No Rio de Janeiro, a plataforma e-Rio disponibiliza a ProfessorIA, ferramenta desenvolvida pelo Grupo Eureka que utiliza avatares personalizados para interagir com estudantes e docentes. Com mais de 134 mil interações registradas, a plataforma atende demandas que vão desde o ensino regular até a EJA (Educação de Jovens e Adultos) e educação inclusiva. 

A implementação nas escolas cariocas tem sido acompanhada por equipes de formação. O sistema é moderado por professores especializados, que garantem a qualidade do conteúdo e promovem aulões virtuais ao vivo para resolução de dúvidas e aprofundamento temático. 

IA como aliada no planejamento e em sala de aula 

No cotidiano escolar, docentes utilizam a tecnologia para otimizar processos e preparar alunos para exames nacionais, como o Enem. No Colégio Estadual Castelnuovo (RJ), o projeto “Giroteca Ativa” utiliza a IA para simular cenários de aprendizagem. 

“A gente trabalha muito com projetos na escola e a inteligência artificial tem nos ajudado a antecipar dúvidas e simular perguntas que os próprios alunos fariam ao longo das atividades. Isso facilita o planejamento das aulas e permite desenvolver melhor as propostas pedagógicas”, explica o professor Eduardo Tavares. 

Já em Niterói, no Colégio Estadual Machado de Assis, o professor de Biologia Henrique Costa utiliza bancos de questões e IA para criar simulados personalizados e ajustar o nível de dificuldade das tarefas. “A inteligência artificial facilita muito o planejamento das atividades. Eu utilizo para montar listas de exercícios, elaborar provas e até adaptar textos para alunos que precisam de uma abordagem diferenciada”, relata o docente. 

Próximos passos 

A aprovação do parecer pelo CNE sinaliza a necessidade de novas políticas públicas focadas na formação docente.  

Para Igor Ventura, o desafio agora é garantir condições estruturais para que o professor consiga integrar a tecnologia de forma ética e responsável, mantendo o foco na qualidade do processo de ensino-aprendizagem. 

“Estudos recentes, como um levantamento da Universidade de Stanford, mostram que o uso da inteligência artificial pelos alunos sem intencionalidade pedagógica tende a gerar resultados apenas no curtíssimo prazo. Por isso, a regulamentação pelo CNE é importante para reforçar que a IA deve ser usada de forma responsável e como uma ferramenta a serviço do professor, mediada pelo educador. O próximo passo é avançar também para políticas públicas que garantam formação e condições para que os docentes utilizem essa tecnologia nas escolas”, afirma o especialista. 

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Fonte: cnnbrasil.com.br

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