Lucro do confinamento cai mesmo com custo da ração estável, aponta ICAP
Os custos da alimentação no confinamento seguiram relativamente controlados em abril, mas a redução das arrobas produzidas por animal abatido comprometeu a rentabilidade da atividade. Segundo o ICAP (Índice de Custo Alimentar Ponta), indicador calculado com base em dados de confinamentos que representam cerca de 62% das cabeças confinadas no país, o lucro do setor recuou nas principais regiões produtoras, mesmo permanecendo em níveis historicamente elevados.
No Centro-Oeste, o custo da arroba produzida avançou 18,76% em abril, enquanto no Sudeste a alta foi de 6,43%. O movimento ocorreu mesmo com o custo diário da alimentação praticamente estável no período.
No Centro-Oeste, o ICAP fechou abril em R$ 13,36 por cabeça ao dia, alta de 0,98% em relação a março. Já no Sudeste, o índice ficou em R$ 12,03 por cabeça ao dia, recuo de 1,31%, marcando o segundo mês consecutivo em que o custo alimentar ficou abaixo do registrado no Centro-Oeste.
Apesar da desaceleração, as margens seguem positivas. O lucro estimado no mercado físico foi de R$ 851,04 por cabeça no Centro-Oeste e de R$ 1.116,80 no Sudeste. Ainda assim, os números representam queda frente aos resultados recordes registrados em março.
Na análise dos custos de alimentação, o Centro-Oeste registrou redução de 1,32% no custo total da dieta de terminação entre fevereiro e abril, encerrando o período em R$ 1.176,30 por tonelada de matéria seca. Os insumos energéticos e volumosos seguiram pressionados, principalmente pelo milho grão seco, bagaço de cana e capulho de algodão. Nos proteicos, o DDG permaneceu como principal fator de alta.
No Sudeste, o custo da dieta caiu 1,72% no período, fechando abril em R$ 1.128,56 por tonelada de matéria seca. A redução foi puxada pelos grupos energéticos e proteicos, com destaque para a queda da casca de soja, do DDG e do farelo de amendoim. Já os volumosos avançaram com a pressão do bagaço e da silagem de cana, influenciados pelo avanço da safra canavieira.
Mesmo com os custos relativamente estáveis, a menor quantidade de arrobas produzidas por animal afetou diretamente a rentabilidade dos confinamentos. No Centro-Oeste, as arrobas produzidas caíram de 8,40 para 7,80 por animal, elevando significativamente o custo unitário da produção. Com isso, o lucro por cabeça recuou cerca de R$ 230 em relação a março.
No Sudeste, a queda de produtividade foi mais moderada e parcialmente compensada pela redução dos custos da dieta, limitando a perda de margem no período.
O levantamento também aponta vantagem do Sudeste nas operações voltadas à exportação para a China. A rentabilidade estimada ficou em R$ 1.186,10 por cabeça, contra R$ 952,82 no Centro-Oeste, reflexo principalmente das diferenças no custo de produção entre as regiões.}
Fonte: cnnbrasil.com.br
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