A NASA afirma que o asteroide conhecido como “Deus do Caos” passará a uma distância inferior à de diversos satélites em 2029, e essa rara aproximação poderá ser observada a olho nu, sem a necessidade de telescópios

Em 13 de abril de 2029, o asteroide Apófis vai passar a cerca de 32 mil quilômetros da Terra, abaixo da órbita de muitos satélites geoestacionários. A NASA e a ESA garantem que não há risco de impacto, mas o sobrevoo é tão incomum que se tornou um dos eventos científicos mais aguardados do século, e será visível a olho nu em partes da Europa, África e Ásia.

Em abril de 2029, o asteroide Apófis passará a apenas 32 mil quilômetros da Terra, abaixo da órbita de satélites geoestacionários.
Em abril de 2029, o asteroide Apófis passará a apenas 32 mil quilômetros da Terra, abaixo da órbita de satélites geoestacionários.Imagem gerada por inteligência artificial

O que torna a passagem do Apófis tão especial em 2029?

O asteroide 99942 Apófis tem diâmetro médio de aproximadamente 340 metros, com a maior dimensão chegando a cerca de 450 metros, o equivalente a quatro campos de futebol americano. Esse tamanho expressivo fará com que ele apareça no céu noturno como um ponto luminoso em deslocamento perceptível.

Para observar o fenômeno, o ideal é se afastar das luzes urbanas e buscar um local com horizonte amplo. A passagem rápida exige atenção, pois o asteroide estará em movimento contínuo, diferente de um astro comum parado no céu.

  • 🌍
    Distância mínima: Apófis passará a cerca de 32 mil km da Terra, abaixo da órbita de satélites geoestacionários
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    Visibilidade: O sobrevoo poderá ser visto a olho nu no Hemisfério Oriental, sem necessidade de telescópio
  • 📏
    Tamanho: Aproximadamente 450 metros na maior dimensão, equivalente a quatro campos de futebol americano

Apófis já foi considerado uma ameaça real para o planeta?

Quando o asteroide foi descoberto em 2004, os primeiros cálculos indicaram uma pequena probabilidade de colisão com a Terra em datas como 2029, 2036 e 2068. Esse cenário gerou grande preocupação na comunidade científica e alimentou a reputação ameaçadora do objeto.

A passagem próxima do asteroide Apófis permitirá que cientistas observem, em tempo real, as alterações causadas pela gravidade terrestre.
A passagem próxima do asteroide Apófis permitirá que cientistas observem, em tempo real, as alterações causadas pela gravidade terrestre.Imagem gerada por inteligência artificial

Observações com radar em março de 2021 refinaram a órbita com precisão suficiente para descartar qualquer risco pelos próximos 100 anos. Tanto a NASA quanto a ESA removeram o Apófis de suas listas de objetos perigosos, confirmando que a passagem de 2029 será um espetáculo completamente seguro.

De que forma a gravidade da Terra vai transformar o Apófis?

A aproximação extremamente próxima permitirá observar a gravidade terrestre agindo sobre um corpo rochoso em tempo real. A NASA e a ESA preveem que essa força vai alterar a órbita do asteroide, modificar sua rotação e possivelmente provocar pequenos deslizamentos de rochas em sua superfície.

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Mudança de grupo orbital

De Aten para Apollo: uma transição histórica

A passagem próxima da Terra deve empurrar o Apófis para fora do grupo de asteroides Aten, transferindo-o para o grupo Apollo. Essa transição orbital será causada diretamente pela influência gravitacional do nosso planeta.

Em termos simples, a Terra vai dar um “empurrão gravitacional” mensurável no asteroide, e os cientistas terão a chance inédita de acompanhar cada detalhe dessa transformação com instrumentos modernos.

Essa oportunidade é considerada raríssima porque permite estudar ao vivo o que normalmente só é inferido por modelos computacionais. As agências espaciais vão registrar cada alteração estrutural e orbital do asteroide Apófis com máxima precisão.

  • A órbita do Apófis deve ser ampliada pela influência gravitacional terrestre durante o sobrevoo
  • A rotação do asteroide pode ser alterada, e pequenos deslizamentos de rochas podem ocorrer em sua superfície
  • O evento permitirá comparar diretamente o antes e o depois da aproximação, algo inédito na ciência planetária

Quais missões espaciais vão estudar o Apófis em 2029?

A ESA desenvolveu a missão Ramses para chegar ao asteroide antes do sobrevoo e documentar as mudanças provocadas pela gravidade terrestre. Em fevereiro de 2026, a agência assinou um contrato de cerca de 81 milhões de euros com a OHB Italia, com valor total estimado em aproximadamente 150 milhões de euros.

Embora o risco de impacto tenha sido descartado, o sobrevoo do Apófis será um ensaio crucial para a defesa planetária.
Embora o risco de impacto tenha sido descartado, o sobrevoo do Apófis será um ensaio crucial para a defesa planetária.Imagem gerada por inteligência artificial

A Ramses tem lançamento previsto para abril de 2028 e chegada em fevereiro de 2029. Já a sonda OSIRIS-APEX da NASA chegará em junho de 2029 para estudar os efeitos pós-sobrevoo, podendo disparar propulsores para revelar material abaixo da superfície do asteroide.

  • A missão Ramses da ESA tem chegada prevista para fevereiro de 2029, dois meses antes do sobrevoo máximo
  • A sonda OSIRIS-APEX da NASA chegará em junho de 2029 para analisar os efeitos após a passagem
  • A empresa privada ExLabs planeja enviar dois módulos de pouso ao Apófis em parceria com o Instituto de Tecnologia de Chiba, do Japão
  • O projeto da ExLabs conta com colaboração do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA

Por que acompanhar o Apófis importa para a defesa do planeta?

A NASA classifica impactos de asteroides como o único desastre natural potencialmente evitável. Embora o Apófis não represente nenhuma ameaça em 2029, o sobrevoo funcionará como um ensaio real para aprimorar os modelos de previsão de trajetórias de objetos potencialmente perigosos no futuro.

Os dados coletados poderão fortalecer o planejamento de futuras missões de deflexão, caso um asteroide ameaçador seja identificado. Além do valor científico, o sobrevoo de 2029 será um momento histórico, pois o céu noturno exibirá ao vivo a passagem de um dos asteroides mais estudados da história.

Referências: Apophis – NASA Science

Fonte: catracalivre.com.br

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