Copa do Mundo de 2026 pode ter jogos sob calor extremo, alerta estudo
O sindicato global dos jogadores de futebol renovou nesta quinta-feira as preocupações com o calor durante a Copa do Mundo de 2026, após cientistas alertarem que a probabilidade de temperaturas perigosas para atletas e torcedores aumentou consideravelmente.
Uma análise do grupo de pesquisa climática World Weather Attribution concluiu que cerca de um quarto das 104 partidas do torneio ampliado, que será disputado nos Estados Unidos, México e Canadá, deve ocorrer em condições acima dos limites de segurança recomendados pela FIFPRO.
O índice representa quase o dobro do risco registrado na Copa do Mundo de 1994, realizada nos Estados Unidos.
Segundo os pesquisadores, aproximadamente cinco partidas poderão acontecer em condições consideradas inseguras, cenário em que o adiamento dos jogos seria recomendado.
Os cientistas avaliaram os riscos com base nos horários das partidas e no índice Wet Bulb Globe Temperature (WBGT), que mede a capacidade do corpo humano de se resfriar.
“As estimativas sobre a probabilidade de jogos da Copa do Mundo de 2026 serem disputados em condições elevadas de WBGT estão alinhadas com os cálculos publicados pela FIFPRO em 2023”, afirmou o diretor médico da entidade, Vincent Gouttebarge.
“Essas estimativas justificam a necessidade e a implementação de uma série de estratégias de mitigação para proteger melhor a saúde e o desempenho dos jogadores quando expostos a condições de calor”, acrescentou.
A FIFPRO recomenda medidas de resfriamento quando o WBGT ultrapassa 26 graus Celsius e defende o adiamento das partidas caso o índice supere 28°C, o equivalente a cerca de 38°C em clima seco ou 30°C em ambientes com alta umidade.
A Fifa informou à Reuters que realizou um planejamento específico para o risco de calor, incluindo pausas de três minutos para hidratação em cada tempo das partidas, infraestrutura de resfriamento para jogadores e torcedores, adaptação dos ciclos de trabalho e descanso, além do reforço da preparação médica conforme as condições em tempo real.
“A Fifa está comprometida em proteger a saúde e a segurança de jogadores, árbitros, torcedores, voluntários e funcionários. Futebol mais conservador”, declarou a entidade em nota oficial.
O anestesista consultor do Imperial College London NHS Trust e professor clínico sênior do Imperial College London, Chris Mullington, afirmou que o calor extremo tende a influenciar mais o estilo de jogo do que provocar emergências médicas generalizadas entre os atletas.
“Será mais uma questão de desempenho do que de saúde. Esses jogadores são atletas de elite e estão aclimatados. Veremos atletas dosando o ritmo. Essa regulação térmica comportamental é muito difícil de ser ignorada. Então, poderemos ter um futebol mais conservador”, completou.
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De acordo com a análise, sistemas de resfriamento devem reduzir parte do risco em três dos 16 estádios-sede.
Mesmo assim, mais de um terço das partidas com pelo menos 10% de chance de ultrapassar os 26°C de WBGT estão programadas para arenas sem ar-condicionado, incluindo cidades como Miami, Kansas City, Nova York e Filadélfia.
Final no MetLife Stadium
Entre elas está a final da Copa do Mundo, marcada para o MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey. O estádio agora apresenta uma chance de uma em oito de ultrapassar o limite de 26°C e um risco de aproximadamente 3% de atingir níveis ainda mais perigosos — cerca do dobro do risco observado em 1994, segundo o estudo.
A professora de ciência climática do Imperial College London, Friederike Otto, afirmou que os resultados reforçam a necessidade de a Fifa reconsiderar o período de realização das futuras Copas do Mundo, especialmente em regiões vulneráveis ao calor extremo no verão.
“Do ponto de vista da saúde, seria aconselhável realizar essas Copas mais cedo ou mais tarde no ano, para que se tenha uma festa do futebol e não algo que represente um enorme risco à saúde para toda a cidade”, afirmou Otto.
A FIFPRO também alertou que, embora estádios climatizados em cidades como Dallas e Houston possam ajudar na proteção dos jogadores, torcedores presentes nos jogos e em festivais ao ar livre continuarão expostos a longos períodos de calor perigoso.
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Fonte: cnnbrasil.com.br
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