Por que China e EUA discordam sobre Ormuz? Especialista explica

A reunião entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping resultou em uma acomodação estratégica, sem modificações substanciais nas posições já adotadas pelos Estados Unidos e pela China sobre a guerra no Oriente Médio. A avaliação é de Mariana Kalil, professora de geopolítica da Escola Superior de Guerra, em entrevista ao Agora CNN deste sábado (16).

Segundo Kalil, embora os dois países concordem que o Estreito de Ormuz deveria ser completamente reaberto e que o Irã não deve desenvolver armas nucleares, há uma divergência central sobre as condições impostas pelos Estados Unidos. “Houve uma acomodação. ‘Uma estabilidade estratégica’, conforme classificou Xi Jinping”, afirmou a especialista.

Divergência sobre o programa nuclear iraniano

Kalil explicou que a principal discordância entre as duas potências diz respeito ao uso pacífico da energia nuclear pelo Irã. “Há uma concordância a respeito do programa nuclear, que não deve ser bélico no Irã, mas não há uma concordância a respeito do programa nuclear para fins pacíficos”, destacou. Enquanto a China defende que o Irã tem o direito de desenvolver esse tipo de programa, os Estados Unidos não acreditam que o país seria capaz de mantê-lo restrito a finalidades civis.

Pressão eleitoral sobre Trump

A especialista também abordou o impacto do fechamento de Ormuz sobre a política doméstica americana. Com eleições de meio de mandato previstas para este ano, a inflação gerada pelo bloqueio da importante rota marítima representa uma pressão significativa sobre o governo Trump. “A inflação numa democracia tem muito mais impacto sobre as eleições do que em países que não são democráticos”, disse Kalil. “Na China, por exemplo, essa situação vai ter menos impacto do que nos Estados Unidos”, afirmou.

Ela ponderou, no entanto, que o eleitorado mais ideologizado tende a votar independentemente do cenário econômico, o que torna incerto o real impacto sobre a popularidade de Trump, atualmente em baixa. “Os Estados Unidos são uma democracia em que as pessoas não são obrigadas a votar. Quem tem posições mais ideologizadas tende a votar, mas não sabemos se essa situação mudou algo para outros eleitores”, afirmou.

Encontro entre Xi Jinping e Putin

Com a previsão de um encontro entre Xi Jinping e Vladimir Putin na China na próxima semana, Kalil interpretou o evento como um sinal da autonomia da política externa chinesa. Para a especialista, o mundo caminha para uma configuração bipolar ou, possivelmente, multipolar. “A China vai se comportar como uma igual aos Estados Unidos. Além deles, outras grandes potências também atuarão de forma decisiva no cenário internacional”, pontuou.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.

Fonte: cnnbrasil.com.br

Publicar comentário