Quais os efeitos na pré-campanha de Flávio Bolsonaro após áudio a Vorcaro

O envolvimento do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em uma suposta negociação de cerca de R$ 134 milhões com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pode provocar desgastes políticos e eleitorais, sobretudo entre eleitores moderados e aliados em disputa por espaço na campanha. A avaliação é de cientistas políticos ouvidos pela CNN Brasil sobre o impacto do episódio.

Para o sociólogo e cientista político Alberto Carlos Almeida, o caso tende a intensificar disputas internas no entorno político de Flávio Bolsonaro. Segundo ele, o episódio abre margem para pressões e barganhas de grupos interessados em ampliar influência na pré-campanha.

“Tudo em Brasília tem preço. Então, qual o preço para Flávio Bolsonaro do seu desgaste? Aqueles que estão mais distantes do núcleo central da candidatura dele, que tomam menos decisões ou têm menos influência, vão utilizar esse evento, e qualquer outro semelhante, para barganhar mais espaço próximo a Flávio. A troca é não atacá-lo”, afirmou.

Almeida avalia que nem todos os conflitos internos são necessariamente negociáveis. “Talvez o caso de Michelle [Bolsonaro] não seja conciliável. Talvez ela não esteja querendo simplesmente barganhar espaço em torno de Flávio, mas outros atores menos visíveis estão fazendo isso agora”, disse.

Apesar disso, ele pondera que o impacto na opinião pública pode ser menor do que em escândalos políticos do passado. Como exemplo, citou a ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney, que desistiu da disputa presidencial de 2002 após um escândalo envolvendo a empresa Lunus.

“Eu não acredito que algo semelhante vá acontecer agora. Bolsonaro tem um poder separado do que existia naquela época. Não havia mídias sociais. E quando falo Bolsonaro, estou falando dos dois, pai e filho, que tem essa força ligada à mídia deles, à mídia alternativa e às redes sociais. Isso é um novo poder na sociedade”, destacou.

Já o cientista político Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy, considera que o principal risco eleitoral está na dificuldade de ampliar apoio fora da base bolsonarista.

“Existe uma perspectiva de estrago muito clara, porque Flávio Bolsonaro pode até ter segurança de que não perderá muitos votos na sua base de seguidores e aliados herdados do pai, uma liderança carismática mais inflexível a esse tipo de evento. Mas ele pode perder justamente o eleitor que precisa para vencer a eleição: o eleitor moderado”, explicou.

Segundo Barreto, esse grupo inclui eleitores indecisos ou menos alinhados ideologicamente, capazes de migrar entre candidaturas. “É aquele eleitor que pode votar tanto nele quanto em Lula, muitas vezes chamado de ‘isentão’. E esse eleitor tende a se afastar”, pontuou.

O analista também relacionou o episódio à mais recente pesquisa Genial/Quaest, segundo a qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avançou justamente entre os eleitores moderados. “Se isso se confirmar, Flávio Bolsonaro pode cristalizar um teto eleitoral. Um teto alto, mas insuficiente para vencer a eleição”, avaliou.

Barreto comparou o cenário ao histórico eleitoral do ex-prefeito paulistano, Paulo Maluf. “Muitas vezes ele liderava o primeiro turno em São Paulo, mas tinha um teto baixo e acabava derrotado no segundo turno”, lembrou.

Na avaliação do cientista político, esse possível limite eleitoral pode comprometer a capacidade de Flávio Bolsonaro de atrair alianças e consolidar palanques regionais. “Essa é hoje a principal ameaça à viabilidade eleitoral dele, justamente quando busca aliados e tenta ampliar sua coalizão”, concluiu. 

Ouça o áudio de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Vorcaro

Fonte: cnnbrasil.com.br

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