Investigação cita ameaças e “pressão física” sobre desafetos de Vorcaro
A organização criminosa integrada por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, contava com uma estrutura dividida entre “núcleos operacionais” responsáveis por ações de “ameaça, monitoramento e pressão física” de desafetos do ex-banqueiro, conforme investigação da PF (Polícia Federal).
Segundo relatórios da PF que sustentam as decisões do ministro André Mendonça, relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal), o grupo denominado como “A Turma” era utilizado para “a prática de ameaças, intimidações presenciais, coerções, levantamentos clandestinos, obtenção de dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas governamentais”.
Já o chamado “Os Meninos” seria voltado para as questões tecnológicas, “vocacionado à prática de ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento telefônico e telemático ilegal”.
Ambos os núcleos eram gerenciados por Felipe Mourão, o “Sicário”, que morreu após atentar contra a própria vida no dia em que foi preso pela PF em operação deflagrada em 4 de março. Foi nessa mesma fase que o próprio Vorcaro voltou a ser preso, após a suspeita de tentativa de atrapalhar as investigações.
Em uma conversa com Sicário em julho de 2024, Vorcaro solicitou que o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, fosse hackeado. As mensagens foram obtidas pelo Fantástico e divulgadas no domingo (17).
“Preciso hackear esse Lauro”. O intermediário respondeu: “vou mandar fazer isto. já pedi aos meninos para fazer isto. mandar no e-mail.
Segundo a investigação, Sicário afirmou ainda que tentou atrair o jornalista pelo WhatsApp se passando por um repórter para enviar um link malicioso, mas que a abordagem não avançou.
A atuação desses núcleos foi detalhada na decisão de Mendonça que autorizou a prisão de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro, na última quinta-feira (14). Ao todo, foram expedidos sete mandados de prisão preventiva. Duas pessoas estão foragidas.
Um dos presos nessa 6ª fase da Operação Compliance Zero é Victor Lima Sedlmaier, suspeito de ser um dos membros do grupo “Os meninos”. Ele foi detido no sábado (16) em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
A PF também reuniu informações sobre pessoas que teriam sofrido intimidações praticadas pelo grupo A Turma. O ex-capitão do iate de Vorcaro, Luis Felipe Woyceichoski, relatou ter sido ameaçado de morte por sete homens, sendo que um deles se identificou como “Manoel”. A investigação identificou o homem como o bicheiro Manoel Mendes Rodrigues.
Já Leandro Garcia, ex-chefe da casa de Vorcaro em Angra dos Reis, afirmou ter sido abordado em um hotel por dois homens: Filipe Mourão e Manoel ou Emanuel.
“Esses elementos não apenas inserem Manoel no contexto fático das intimidações, como o situam, em tese, como um dos executores executores identificáveis do braço presencial da organização, em ações concretas de ameaça, monitoramento e pressão física sobre desafetos de Daniel Vorcaro”, aponta Mendonça.
Fonte: cnnbrasil.com.br
Publicar comentário