Demanda interna de milho no brasil deve atingir recorde

A demanda por milho no mercado interno deve alcançar patamar recorde este ano, de 100 milhões de toneladas. A projeção é da da Pátria AgroNegócios. O volume representa uma alta de 11,11% sobre a demanda registrada no passado, de 90 milhões.

Nos últimos dez anos, a produção de milho no Brasil dobrou, impulsionada pelo crescimento do milho safrinha, pela ampliação da área plantada e pelos avanços em produtividade, frisou Marcela. “Para este ano, a projeção é de que a safra brasileira de milho alcance 137 milhões de toneladas contra 142 milhões de toneladas registradas no ano passado”, diz Marcela Marini, analista de Grãos e Oleaginosas do Rabobank.

O aumento da produção do grão no país brasileiro nos últimos anos tem sido impulsionado principalmente pela maximização da segunda safra.

Para o consultor de mercado de grãos da Patria AgroNegócios, Cristiano Palavro, o setor de rações é o maior consumidor de milho e tem crescimento expressivo para este ano. Ele ressalta que existe uma alta probabilidade de impactos negativos na produção em um período em que o consumo de milho está subindo.

O consumo de DDG (grãos secos de destilaria) tem registrado boa aceitação entre os pecuaristas brasileiros, consolidando-se como uma alternativa importante na formulação de rações animais.

Apesar do aumento da produção no país, o grão vem perdendo participação na composição das dietas, em um movimento de substituição parcial por subprodutos da indústria de etanol de milho e por outras culturas.

Entre as principais alternativas, o DDG tem ganhado espaço por seu valor nutricional e competitividade de custo, enquanto o sorgo também aparece como opção complementar na alimentação animal.

Esse cenário reflete uma mudança gradual na estrutura da ração no Brasil, com maior diversificação de insumos utilizados pela pecuária.

Segundo a Abramilho, aproximadamente 60% do milho consumido no mercado interno brasileiro é destinado à fabricação de ração animal, reforçando a importância do cereal para a cadeia de proteína no país.

Dentro desse volume, o setor avícola se destaca como o principal consumidor respondendo por cerca de 32% do total utilizado na nutrição animal.

Já a suinocultura aparece na sequência, com participação de aproximadamente 15% no consumo destinado à ração.

Clima seco

Como a safrinha representa grande parte da produção brasileira – cerca de 70% – atrasos no plantio da soja podem empurrar a janela do milho para períodos mais secos e aumentar perdas de produtividade. Regiões do país estão com falta de chuvas há dias, e em alguns locais, até semanas.

Segundo previsões, a probabilidade é que esse clima continue e afete ainda mais a porção leste do país como Goiás, Minas Gerais, o norte de São Paulo, Bahia e alguns pontos do Mato Grosso do Sul.

Para o consultor da Terra Investimentos, Geraldo Isoldi, no Mato Grosso, por exemplo, o clima permitiu um aumento na produtividade do grão, que passou de 116,61 sacas por hectare em abril para 118,71.

Segundo Geraldo, o milho mato-grossense cultivado em uma área de 7,39 milhões de hectares, tem produção estimada em 52,65 milhões de toneladas, volume 1,81% superior às 51,72 milhões de toneladas projetadas no mês passado.

Expansão das usinas de etanol

O mercado interno brasileiro tem um fator considerado relevante para o setor de milho: a proposta do governo de elevar a mistura obrigatória de etanol na gasolina de 30% para 32%. A medida é vista pela cadeia produtiva como um elemento de fortalecimento da demanda por biocombustíveis no país.

O grande impulso e fator principal do crescimento da demanda do cereal são as usinas de etanol, de milho, que estão crescendo de forma agressiva no país. Esse movimento eleva o setor de bioenergia como condutor de sustentação da demanda doméstica.

Marcela Marini, analista de Grãos e Oleaginosas do Rabobank explica que a demanda por milho destinado à produção de etanol no Brasil deve atingir um novo recorde em 2026.

A expectativa é que o país consuma cerca de 27,5 milhões de toneladas do cereal para a fabricação do biocombustível, consolidando o avanço do setor nos últimos anos. O volume representa um crescimento de 20% em relação ao registrado no ano passado, ressaltou Marcela.

A expansão das usinas de etanol de milho no Brasil tem chamado a atenção do mercado, segundo análise da Rabobank. O movimento, que começou no Mato Grosso — principal polo produtor do cereal no país devido à forte oferta do milho safrinha — agora avança para novas fronteiras agrícolas, inclusive em regiões onde a disponibilidade do grão é mais limitada.

Estados como Bahia e Piauí, além de áreas do oeste mato-grossense, têm recebido investimentos em plantas de etanol de milho, mesmo enfrentando menor oferta do cereal. Nessas regiões, parte significativa das áreas agrícolas é destinada ao cultivo de algodão, reduzindo o espaço para a produção de milho.

De acordo com a avaliação da instituição financeira, o principal fator por trás dessa expansão é o preço mais elevado do etanol nesses mercados.

A valorização do biocombustível tem compensado os desafios logísticos e a menor disponibilidade de matéria-prima, incentivando novos investimentos no setor.

Frete em alta

Outro fator que tem favorecido a indústria de etanol de milho neste ano é o aumento do custo do frete interno no Brasil. Em algumas regiões do país, as despesas com transporte registraram alta próxima de 20%, cenário que acaba ampliando a competitividade do setor na aquisição do milho.

Entre 70% e 75% das usinas de etanol de milho no Brasil estão instaladas próximas às principais regiões produtoras do cereal, o que reduz significativamente a exposição aos custos logísticos.

A proximidade com as áreas de cultivo garante maior eficiência no abastecimento das plantas industriais e diminui os impactos do transporte sobre a operação, em comparação com o mercado exportador, que depende de longas distâncias até os portos e enfrenta maiores custos de frete.

Com uma exposição logística significativamente menor, as usinas de etanol de milho conseguem operar com custos mais competitivos e oferecer condições mais atrativas ao produtor rural na comercialização do cereal.

Essa vantagem tem sido determinante para direcionar parte da produção de milho à indústria de biocombustíveis, reduzindo o volume destinado à exportação.

A proximidade das fábricas em relação às áreas produtoras diminui despesas com transporte e armazenamento, permitindo que a indústria dispute o milho de forma mais eficiente no mercado interno.

O Brasil possui atualmente cerca de 30 usinas de etanol de milho em operação, consolidando o avanço desse segmento na matriz de biocombustíveis do país.

Desse total, 11 unidades são flex, com capacidade para processar tanto milho quanto cana-de-açúcar, permitindo maior flexibilidade industrial ao longo da safra.

A expansão da indústria deve elevar a capacidade instalada para 12,6 bilhões de litros até o fim da safra 2025/26.

A expectativa do setor é que a produção alcance cerca de 9,6 bilhões de litros no período, refletindo o crescimento dos investimentos e a ampliação da demanda por biocombustíveis no mercado interno.

Fonte: cnnbrasil.com.br

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