Drones e resistência a ataques: Américo Martins mostra situação na Ucrânia
A Rússia lançou, na madrugada desta segunda-feira (18), um ataque massivo contra a Ucrânia, disparando 524 drones e 22 mísseis contra diversas cidades do país, com especial concentração na região de Dnipro. Pelo menos uma pessoa morreu e mais de 30 ficaram feridas. O analista sênior de Internacional e correspondente da CNN, Américo Martins, que acompanha o conflito diretamente de Kiev, trouxe atualizações sobre a situação no leste europeu.
O ataque desta madrugada ocorre em meio a uma escalada significativa da violência entre os dois países. No final de semana anterior, os ucranianos também lançaram mais de 500 drones contra o território russo, chegando a atingir a capital, Moscou. Nessa ofensiva ucraniana, três pessoas morreram na capital russa e outras 12 ficaram feridas num ataque a uma refinaria.
Escalada sem precedentes nos últimos dias
Américo Martins destacou que os confrontos recentes representam uma intensificação alarmante do conflito. “A gente está vendo um crescimento muito grande da violência entre a Ucrânia e a Rússia”, afirmou o correspondente. Nas 48 horas que antecederam o ataque desta segunda-feira (18), mais de 1.500 drones e mísseis foram disparados pelos russos contra o território ucraniano. Em um dos incidentes mais letais desse período, 24 pessoas morreram após um míssil russo atingir um prédio em Kiev.
A situação se agrava ainda mais com o envolvimento de Belarus. Segundo Américo, o exército bielorrusso — aliado da Rússia e país onde armas nucleares russas estão estacionadas — anunciou o início de exercícios militares para treinar seus soldados no uso e posicionamento dessas armas. “É mais uma vez a ameaça do uso de armas nucleares neste conflito”, alertou o correspondente, acrescentando que Belarus também pode vir a se envolver diretamente no conflito, apoiando os russos com logística e armamentos.
Show ao ar livre como símbolo de resistência
Em meio à guerra, Kiev assistiu ao primeiro grande show ao ar livre desde o início do conflito. A banda Boombox, uma das mais populares da Ucrânia, se apresentou no estacionamento de um shopping center em um subúrbio da capital.
O local foi escolhido estrategicamente por conta dos três estacionamentos subterrâneos disponíveis, que poderiam servir de abrigo em caso de alarme de ataque aéreo. O evento reuniu milhares de pessoas e transcorreu sem incidentes, embora um alarme de ataque aéreo tenha soado logo após o encerramento da apresentação.
O vocalista da banda, Andriy, tornou-se ainda mais popular ao se alistar como voluntário nas Forças Armadas ucranianas no primeiro dia da guerra. Ele chegou a deletar todas as músicas que cantava em russo, numa postura adotada por muitos ucranianos desde o início do conflito.
Em entrevista ao correspondente, Andriy explicou o significado do show: “Não é sobre o show de um grande artista, é mais sobre a reunião de amigos em um lugar, dizendo que não estamos com medo.” Participantes do evento também expressaram determinação: “Nós somos loucos e, sendo loucos, isso indica que a gente pode ganhar essa guerra, porque a gente está disposto a correr esse risco.”
Homenagens na Praça da Independência
Américo Martins também mostrou ao vivo a Praça da Independência de Kiev, conhecida como Maidan, que se tornou um memorial espontâneo para os soldados mortos na guerra. Familiares e amigos dos combatentes transformaram o local em um jardim de homenagens, com fotos, bandeiras e símbolos de diversas nacionalidades. “Cada uma dessas pequenas bandeiras que a gente vê no chão representa um soldado morto”, explicou o correspondente.
Entre as homenagens, há uma seção dedicada a voluntários brasileiros que lutaram pela Ucrânia e perderam a vida no conflito. Estima-se que pelo menos 30 brasileiros morreram na guerra — alguns deles lutando pelo lado russo.
Há ainda uma estimativa não confirmada de que cerca de 500 brasileiros se alistaram no exército ucraniano. O governo brasileiro não dispõe de dados precisos sobre esses combatentes, pois eles não comunicam sua participação às autoridades brasileiras. O maior contingente de soldados latino-americanos presentes, segundo Martins, seria da Colômbia.
Preocupação com encontro entre Putin e Xi Jinping
Outro ponto de atenção destacado pelo correspondente é o encontro previsto entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim. Os ucranianos demonstram grande apreensão diante da reunião, pois acreditam que a China pode ampliar ainda mais seu apoio à Rússia.
“Eles sabem que a China apoia a Rússia desde o início da guerra, apoia com tecnologia, apoia com o envio de muitos componentes que são utilizados pelos russos para a fabricação de drones, de mísseis”, afirmou Martins.
Na semana anterior, quando houve um encontro entre o presidente americano, Donald Trump, e Xi Jinping na China, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, enviou uma mensagem pública pedindo que Trump mantivesse a pressão sobre os russos e solicitasse ao líder chinês que aumentasse a pressão sobre o Kremlin para o fim da guerra.
Para Martins, qualquer resolução do conflito passará necessariamente pela participação dos Estados Unidos, que apoia a Ucrânia, e da China, que mantém a economia russa funcionando. Apesar de todo o cenário adverso, o correspondente ressaltou que nenhum dos ucranianos com quem conversou admitiu a possibilidade de ceder território aos russos como parte de um acordo de paz.
Fonte: cnnbrasil.com.br
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