Waack: Apelo populista do fim da escala 6×1 domina políticos
A não ser para quem ache que os fins justificam quaisquer meios, as deliberações para aprovar na Câmara dos Deputados o fim da escala 6×1 estão caminhando da pior maneira possível.
Por mais meritórios que sejam os objetivos a serem alcançados com essa alteração – na jornada e na escala de trabalho – a maneira como isto está sendo feito promete criar enorme confusão. Cabe lembrar as palavras do professor e sociólogo José Pastore, um renomado especialista nas relações de trabalho, e que vem apontando erro atrás de erro no que se pretende fazer.
O principal deles é tentar enquadrar todas as atividades humanas em uma única regra constitucional. A diversidade do mundo do trabalho, argumenta o professor Pastore, é muito maior do que a do mundos impostos – onde se tentou o mesmo caminho durante a reforma tributária e as leis complementares de novo sugerem um cipoal.
No caso da CLT, centenas de novos artigos se somarão aos já existentes 922. O Brasil abriga, lembra ele, 2.422 ocupações diferentes, cada uma com suas peculiaridades.
O governo contribuiu bastante para empobrecer o debate acusando quem aponta problemas dessa ordem como inimigo da classe trabalhadora ou até pior. Porém, o apelo populista na hora de eleições domina a classe política como um todo. Principalmente quando oligarquias regionais, como a que representa o presidente da Câmara, enxergam nessa questão um trunfo irresistível.
Vale para essa questão um velho ditado, que políticos no Brasil desprezam solenemente, contanto que tenham alguma vantagem imediata. Reduzir jornada por meio de regra constituional cria mais problemas do que soluções.
Fonte: cnnbrasil.com.br
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