Como funcionam os remédios recolhidos, rosuvastatina e atorvastina? Entenda

Anvisa publicou no Diário Oficial da União a Resolução-RE nº 2.001, de 14 de maio de 2026, determinando medidas preventivas envolvendo medicamentos vendidos no Brasil. Entre elas, está o recolhimento voluntário de lotes de remédios usados no tratamento de colesterol alto e de inflamações graves.

A medida diz respeito aos medicamentos atorvastatina cálcica 40 mg e rosuvastatina cálcica 20 mg, produzidos pela Cimed.

O recolhimento atinge especificamente o lote 2424299 de ambos os medicamentos. Também foi determinada a suspensão da venda, distribuição e uso dos produtos. De acordo com o Diário Oficial da União, há indícios de que cartuchos de rosuvastatina 20 mg tenham sido inseridos em unidades identificadas como atorvastatina 40 mg.

Mas como esses remédios atuam no organismo? A CNN conversou com especialistas para entender melhor.

Como atuam as estatinas?

As estatinas são uma classe de medicações focada em reduzir o chamado “colesterol ruim”, que é a fração LDL. “Esse é o colesterol que a gente foca em tratar quando a estamos pensando em prevenção de risco, já que ele está muito ligado, quando presente em níveis mais altos, a doenças das artérias“, explica Bruno Valdigem, cardiologista no Einstein Hospital Israelita, Dante Pazzanese e Rede D’or. Essas doenças são, principalmente, causadas pela formação de placas de gordura nas artérias, levando a eventos como AVC, infarto ou doenças vasculares que podem afetar o caminhar.

Tecnicamente, esses medicamentos agem diretamente nas enzimas do fígado relacionadas à produção do colesterol. “Quando essa enzima é reduzida, automaticamente os níveis de colesterol — e aí o que importa para nós é o colesterol ruim, o LDL — são automaticamente reduzidos também”, descreve o farmacêutico Maurízio Pupo, pesquisador e professor.

Rosuvastatina e atorvastatina são duas moléculas diferentes dessa classe medicamentosa, que possuem algumas diferenças. Pupo explica que a rosuvastatina é considerada uma estatina mais moderna, dos anos 2000, enquanto a atorvastatina é da década de 1990. Por isso, a primeira tende a ter um resultado mais rápido.

“Ela vem com uma potência superior para fazer a redução da enzima em, mais ou menos, metade do tempo”, considera o especialista, que reforça: “mas, em termos de eficácia final, ambas as drogas vão levar ao mesmo resultado.”

Conhecer esse tempo de atuação ajuda os especialistas a direcionar a melhor molécula para cada tipo de paciente. As metas de colesterol LDL variam conforme o perfil do paciente: “pessoas que já tiveram infarto ou tiveram que fazer ponte de safena, alguma cirurgia ou angioplastia, tem um colesterol ideal muito baixo, uma meta abaixo de 50”, explica Valdigem.

Colesterol alto deve ser tratado mais cedo para diminuir riscos

Fonte: cnnbrasil.com.br

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