Grupo especializado em estelionato digital é alvo de operação no RS

Uma organização criminosa especializada em estelionatos digitais, clonagem e lavagem de dinheiro foi alvo de uma ação interestadual deflagrada, nesta terça-feira (19), pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Cinco pessoas foram presas.

Pelo menos 11 vítimas foram atraídas pelo grupo que utilizavam ligações falsas e sites falsificados para emitir boletos falsificados relacionados a financiamentos de veículos. Todas foram identificadas em diferentes estados do país, sendo duas no Rio Grande do Sul.

Ao todo, foram expedidos nove mandados de prisão, além de 17 mandados de busca e apreensão e medidas judiciais de bloqueio de contas bancárias ligadas aos investigados.

A ação foi conduzida pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (CIBERLAB), da Coordenação-Geral de Crimes Cibernéticos do Ministério da Justiça e das polícias do estado de São Paulo. As diligências ocorreram simultaneamente na capital paulista, Guarulhos, Piracicaba e Carapicuíba.

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Veja imagem da operação:

Clonagem, site falso e ligação suspeita: entenda a investigação

Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o grupo atuava com sites clonados e boletos falsificados,  por meio dessas passagens eles lavavam o dinheiro e praticavam o estelionato digital.

As investigações começaram em novembro de 2025, após uma vítima registrar um boletim de ocorrência relatando prejuízo de R$ 22.251,55 ao pagar um boleto fraudulento para suposta quitação do financiamento de um veículo.

Segundo a polícia, a vítima pesquisou no Google informações sobre o financiamento e acessou um site falso que imitava a página oficial de uma montadora. Em seguida, foi direcionada para atendimento via aplicativo de mensagem.

Durante a conversa, os suspeitos solicitaram a identidade da vítima. Depois, enviaram um código de quatro dígitos por e-mail. Com as informações, os investigados conseguiram acessar dados do financiamento e encaminhar informações do contrato.

Na sequência, eles enviaram um boleto falso em PDF para a suposta quitação do veículo. Após realizar o pagamento, a vítima percebeu a fraude e tentou novo contato, mas já havia sido bloqueada pelos suspeitos.

Ao longo da investigação, a polícia identificou o site utilizado no esquema, que simulava a identidade visual da empresa, e já está fora do ar. Os investigadores também constataram que o link de atendimento do portal passou a direcionar vítimas para diferentes números, mantendo a mesma foto de perfil e referências visuais da empresa para aparentar legitimidade.

A investigação também identificou indícios de lavagem de dinheiro por meio do uso de contas de terceiros e diluição dos recursos financeiros.

Brasil lidera a maior porcentagem de golpes digitais na América Latina

De acordo com o relatório da Febraban Tech, publicado em março de 2026, as fraudes digitais geraram prejuízos de cerca de US$ 442 bilhões para a economia global em 2025, com circulação ilícita de recursos pelo sistema financeiro.

Quando olhado para o Brasil, o relatório Digital Banking Fraud Trends in Latin America 2026, da empresa de segurança digital BioCatch, golpes envolvendo aparelhos subtraídos cresceram em cerca de 340% no país.

Em relação a golpes de personificação — quando criminosos se passam por bancos e empresas para atraírem as vítimas — essas fraudes aumentaram em cerca de 140%.

No ranking da América Latina, México e a Argentina lideram o ranking da maior porcentagem de golpes, perdendo apenas para o Brasil, que continua no topo.

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*Sob supervisão de Rafael Saldanha

Fonte: cnnbrasil.com.br

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