PT faz ofensiva contra Flávio enquanto bolsonaristas tentam conter danos
A divulgação de áudios e mensagens do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) trocados com o banqueiro Daniel Vorcaro mobilizaram a base tanto do governo quanto da oposição. O PT lançou uma ofensiva para aproveitar a crise na direita, enquanto o campo bolsonarista agora espera “decantar” o assunto para calcular os impactos.
A esquerda tem uma linha clara de ofensiva, mas com cautela. A partir de agora, os deputados e senadores de esquerda vão usar os elementos levantados pela reportagem do Intercept Brasil para desgastar a imagem de Flávio até as eleições, mas se pautando nos conteúdos divulgados pelos jornais.
A base governista espera também por novas reportagens. A expectativa é que novas informações sejam divulgadas nos próximos dias e semanas que alimentem ainda mais essa onda favorável.
Deputados da esquerda reforçaram o pedido de abertura da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Banco Master. Eles entendem que é necessário aprofundar nas investigações neste momento e que isso pode respingar ainda mais na candidatura bolsonarista.
A liderança do PT na Câmara protocolou pedidos na PF (Polícia Federal) para investigar o senador e no Ministério Público para bloquear R$ 65 milhões de Flávio. O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) chegou a dizer que vai pedir, inclusive, que o filho mais velho do ex-presidente Jair bolsonaro use tornozeleira eletrônica para garantir que ele não fuja do país.
Para o campo bolsonarista, a ordem é esperar. O grupo ligado a Flávio entende que o estrago já foi feito e que “muita água ainda vai rolar” até as eleições. A ideia é que o senador dê entrevistas já nesta quinta (14) para explicar o episódio e tentar reforçar a tese de que a troca entre eles foi feita de maneira privada e não envolveu dinheiro público.
Flávio também deve dizer que existia um acordo entre as partes e que o pagamento deveria ser feito para que o filme sobre o pai fosse produzido.
Os bolsonaristas alegam ter sido pegos de surpresa com a notícia e dizem que não sabiam das relações entre o senador e o banqueiro. Logo depois da publicação feita pelo Intercept, a liderança do PL se reuniu no QG da pré-candidatura para discutir como responder às acusações.
O grupo de Whatsapp dos congressistas do PL ficou em silêncio durante a tarde. A oposição passou a esperar a orientação da liderança para definir a estratégia e a argumentação a seguir. Depois da nota divulgada por Flávio, foi que os deputados entenderam a linha e começaram a se mobilizar.
Segundo os aliados bolsonaristas, existe um cálculo ainda a ser feito para as eleições. O PL entende que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode abrir até 4 pontos percentuais nas pesquisas até junho e que a divulgação da reportagem não muda esse cálculo. Eles, no entanto, não veem possibilidade de trocar o candidato agora.
Flávio não foi confrontado por aliados sobre os áudios. O único questionamento feito foi em relação à participação do senador nas festas de Vorcaro. Ele não só negou como disse estar seguro que não terá mais ligações envolvendo o banqueiro.
Fonte: cnnbrasil.com.br
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