Entorno de Flávio vê vazamento seletivo sobre Vorcaro e busca saída
Integrantes do entorno da articulação da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) veem o que chamam de vazamento seletivo na revelação das conversas dele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e buscam com que ele não fique apenas na defensiva.
Inclusive, que mantenha agendas públicas em estudo, como nesta sexta-feira (15) no Rio de Janeiro, sua base eleitoral, e depois no estado de São Paulo. Para esta quinta (14), aliados afirmam que a previsão de agenda já era em torno de articulações estaduais e questões da pré-candidatura em Brasília. Oficialmente, ainda não há nada previsto nem confirmado.
A avaliação é de que é preciso justificar as conversas dele com Vorcaro, revelados pelo The Intercept nesta quarta (13), como tem sido feito, mas não deixar que as revelações permeiem as ações da pré-campanha de forma extensiva nem transparecer que há algo a mais a temer.
Por exemplo, nesta quarta, em meio à reunião de emergência na casa que serve de quartel-general da campanha, em Brasília, Flávio gravou vídeo afirmando que a cobrança de dinheiro a Vorcaro aconteceu numa situação de pessoa física para ajudar a continuar com a produção de um filme bancado com recursos privados, de uma produtora da qual não é sócio. Portanto, sem cometimento de ilícitos, argumenta membros da equipe.
O entorno entende que a primeira justificativa foi fornecida de forma plausível e a ideia é tentar imprimir um tom de normalidade. Tanto que Flávio chega a convidar as pessoas a verem o filme sobre a história do pai, Jair Bolsonaro (PL), quando for lançado em setembro nos cinemas.
Para seu entorno, é importante ressaltar não haver crime nas conversas — citam também que Jair Bolsonaro já havia deixado a Presidência há tempos e que Vorcaro à época ainda era um banqueiro respeitado, com contatos políticos em todas as instâncias de poder. Por isso, argumentam, uma conversa com Flávio não deveria ser vista com tanta surpresa assim.
Um outro argumento é que ainda faltam cerca de cinco meses para as eleições, tempo considerado suficiente para as conversas entre ele e Vorcaro saírem de foco, segundo aliados.
Um dos pontos que mais incomodaram aliados próximos de Flávio Bolsonaro, porém, foi o fato de ele ter omitido as conversas com Vorcaro. Se soubessem dos contatos, poderiam ter preparado melhor uma estratégia e não ter reagido de surpresa, na correria, falam.
A estratégia aplicada agora foi então de também defender as investigações relacionadas ao Banco Master, até mesmo com CPI no Congresso. Portanto, tirá-lo da posição de estar acuado e colocá-lo pronto para avançar em mal-feitos do Master.
Ala do PT no Congresso também voltou a defender uma CPI do Master, mas nem todos concordam. Há quem acredite que uma comissão desse tipo agora só serviria como palanque eleitoral, com consequências ainda mais imprevisíveis.
Fonte: cnnbrasil.com.br
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