XP: Guerra no Irã leva a cenário de mais fósseis e renováveis no mundo
A contínua guerra entre Estados Unidos e Irã tem trazido impactos econômicos diretos na economia global, especialmente no âmbio dos combustíveis, com o fechamento do Estreito de Ormuz ocasionando em um novo choque do petróleo.
Segundo relatório da XP, obtido em primeira mão pela CNN, o cenário atual traz a segurança energética para o centro do debate e faz com que os países adotem dois caminhos para se blindarem dos efeitos da guerra.
“Observamos duas rotas principais: garantir oferta de combustível fóssil com menor risco e o investimento em energia limpa, descarbonização, algumas agendas quando pensamentos em transição energética. Essas duas rotas não são excludentes, pelo contrário, muitas vezes coexistem por parte da estratégia dos países”, explicou à CNN Marcella Ungaretti, head de Research ESG da XP.
Em relação à energia limpa, quatro pilares sustentam a aceleração da estratégia dos países: renováveis, eletrificação, baterias e biocombustíveis.
“A transição energética está mais avançada do que já esteve em outros choques passados. Temos mais maturidade hoje em relação a renováveis e energias de baixo carbono do que nos episódios anteriores [à guerra no Irã], de modo que essas soluções hoje são mais competitivas”, completou Ungaretti.
Por outro lado, a XP destaca que empresas antes vistas como líderes em investimentos de baixo carbono, como Shell e BP, reduziram recentemente parte das iniciativas em energia limpa, redirecionando o foco para produção de óleo e gás.
“O interessante é que, ao mesmo tempo que observamos esse recuo, existe um movimento para que a exploração de petróleo seja feita com mais eficiência e com menores emissões de carbono, com soluções de tecnologias emergentes adjacentes que podem ajudar no contexto da transição energética, como captura de carbono e abatimento de metano”, destacou Luiza Aguiar, analista de Research ESG da XP.
A XP pontua que o Brasil se beneficia de um elevado grau de autossuficiência energética e garante vantagem diante de outros países por ser um grande exportador líquido de petróleo bruto.
A equipe de economia da instituição diz que, se as tensões geopolíticas persistirem e os preços do petróleo permanecerem altos, a condição de exportador líquido tende a sustentar o saldo comercial, apoiar a moeda e ajudar a amortecer pressões inflacionárias importadas.
“Em um cenário alternativo, em que a indústria de óleo e gás não existe no Brasil, perderíamos um custo de oportunidade de cerca de R$ 300 bilhões por ano. É muito importante para o Brasil essa riqueza adicional gerada, que se manifesta nas contas públicas, como resultado fiscal mais favorável e em preços de combustíveis menos variantes que em outros países”, afirmou Regis Cardoso, head de Óleo, Gás e Petroquímicos do Research da XP.
Apesar da posição mais confortável do Brasil como exportador de petróleo, o cenário pode não ser o mesmo daqui a alguns anos, já que o país pode se tornar mais importador da commodity a partir de 2030, em razão da maturação dos campos do pré-sal descobertos no início do milênio.
“A forma de manter a produção é, evidentemente, com novas descobertas. Tivemos grande sucesso com as descobertas do pré-sal há cerca de 20 anos. Agora o desafio de repor o que será declínio futuro do pré-sal. Esse declínio é suplantado pelo desenvolvimento de produção nova, particularmente no Campo de Búzios, onde algumas das maiores plataformas do mundo ainda estão sendo implantadas, mas, de fato, no início da próxima década, essa produção consolidada brasileira deve começar a declinar, o qu seria uma perda muito relevante para a economia”, declarou Cardoso.
Fonte: cnnbrasil.com.br
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