Análise: Investigação sobre verba a filme ameaça candidatura de Flávio
O saldo da semana para a oposição é negativo.
No mês passado, o senador (PL-RJ) e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro, tinha uma vantagem numérica de dois pontos sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mas a pesquisa Genial/Quaest desta semana mostra um processo de recuperação na popularidade do governo.
Segundo o levantamento, a desaprovação de Lula caiu de 52% em abril para 49% em maio. Nesse mesmo período, a aprovação passou de 43% para 46%. Nas simulações de segundo turno das eleições, Lula ultrapassou Flávio, embora os dois estejam numericamente empatados, 42% a 41%.
No entanto, a revelação de áudios do senador pedindo dinheiro para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro deixa o momento mais sensível. O vazamento dessas mensagens causou preocupação entre os aliados e há um forte temor de que novos fatos possam surgir.
Agora, a PF (Polícia Federal) investiga, por exemplo, se esses recursos também financiaram o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que está morando nos Estados Unidos e nega esse desvio.
O fato é que, diante de todo esse caso, Flávio agora passa a enfrentar o fantasma da substituição. Isso porque, o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a ser cogitado em alguns núcleos políticos.
Na próxima semana, a gente vai ter a divulgação de três pesquisas de intenção de voto para presidente, uma da Atlas/Intel, na terça-feira (19), e outras dos institutos Vox e Vetor Arrow. Todas elas, em seus questionários, incluem um cenário com o nome de Michelle no pleito.
Além disso, como o período de coleta é posterior à divulgação desses áudios, será possível ter a real dimensão de qual foi o impacto disso na corrida sucessória. Mas, afinal de contas, quem vai decidir essa questão é o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Enquanto a oposição tem seu pior momento desde que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro anunciou sua candidatura ao Planalto, o governo respira.
No começo da semana, Lula anunciou um pacote de R$ 11 bilhões voltado para a Segurança Pública, que é o principal tema de preocupação dos eleitores, de acordo com pesquisas de opinião.
O governo também editou duas MPs (Medidas Provisórias) visando uma melhora na popularidade. A primeira, acabou com a taxa das blusinhas, tema que causou desgaste na imagem de Lula; a segunda focou em segurar o preço dos combustíveis.
Já para os próximos dias, o Planalto continua na expectativa de avançar na sua pauta legislativa, na sua agenda positiva. Na terça (19), o relator da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Escala 6×1, Léo Prates (Republicanos-BA) deve apresentar seu parecer na comissão especial sobre o tema.
O cronograma prevê a votação do texto no plenário da Casa no dia 27. E, depois, a proposta ainda precisa ir ao Senado.
Outros temas importantes da agenda do governo que podem ter encaminhamento na próxima semana são a PEC da Segurança Pública e o PL (Projeto de Lei) das Terras Raras.
Esses dois temas já foram aprovados pela Câmara dos Deputados, mas não tiveram andamento lá no Senado.
E o governo espera, obviamente, um gesto de reaproximação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), depois que a indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal) foi rejeitada. Tanto a proposta da Segurança Pública, quanto o PL das Terras Raras, seriam a oportunidade para esse gesto de Alcolumbre.
*Cristiano Noronha é vice-presidente da Arko Advice. É mestre em Ciência Política pela UnB (Universidade de Brasília), onde também foi professor. Este texto foi transcrito em primeira pessoa de análise em vídeo para o WW.
Fonte: cnnbrasil.com.br
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