Análise: Relação China-EUA é de interdependência complexa
Xi Jinping afirmou que a relação entre os Estados Unidos e a China é “a mais importante do mundo”, durante visita diplomática de Donald Trump ao país que ocorreu nesta quarta-feira (14). Para a analista Fernanda Magnotta ao CNN 360º, a definição reflete com precisão o conceito de interdependência complexa, termo consolidado nas relações internacionais para descrever o vínculo entre as duas potências.
Magnotta explica que, apesar das rivalidades evidentes, a relação entre os dois países se tornou tão imbricada que o chamado “decoupling” — o desacoplamento — tornou-se extremamente difícil de ser alcançado, mesmo sendo uma meta perseguida pelos americanos há décadas.
Comércio e cadeias produtivas
A primeira dimensão dessa interdependência é o comércio. De acordo com a analista, apenas o comércio de bens entre os dois países girou em torno de 415 bilhões de dólares em 2025. Os Estados Unidos dependem da China para uma série de mercados, principalmente eletrônicos, baterias, componentes industriais e minerais processados.
Já a China depende do mercado consumidor americano para sustentar seu crescimento, baseado há décadas em uma estratégia de exportação conhecida como “going out strategy” — “a ideia de crescer olhando para fora”, explica.
O papel do dólar e o mundo financeiro
A segunda dimensão envolve o sistema financeiro e o papel do dólar. Magnotta destaca que a China é uma das maiores detentoras de títulos da dívida pública americana, com cerca de 693 bilhões de dólares em títulos do Tesouro dos EUA, conforme dados de 2026.
“Basicamente, os Estados Unidos ainda hoje dependem da compra estrangeira de dívida para financiar seus déficits, que são inclusive impagáveis, e quem mais tem recursos para fazer isso é a China”, complementou a analista. Por outro lado, a China também depende da estabilidade do dólar, uma vez que suas reservas internacionais estão denominadas na moeda americana.
Tecnologia e recursos estratégicos
A terceira e última dimensão diz respeito à tecnologia e ao acesso a recursos estratégicos. Enquanto os Estados Unidos tentam limitar o avanço chinês no campo dos chips e da inteligência artificial, eles ainda dependem da China para o processamento de minerais críticos e terras raras. A analista ressalta que a China é um dos únicos países do mundo que desenvolveu capacidade de processamento e beneficiamento desses recursos, o que coloca países como o Brasil — que possui reservas, mas não necessariamente a capacidade de processá-las — em posição de dependência indireta. A China, por sua vez, depende da tecnologia americana em algumas áreas mais avançadas e para acessar o mercado global.
Magnotta conclui que itens como soja, petróleo, semicondutores e minerais fazem parte de uma agenda bilateral constante, seja por segurança alimentar, energética ou tecnológica, reforçando que os dois países precisam dialogar continuamente, independentemente das tensões políticas.
Fonte: cnnbrasil.com.br
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