ANSN aponta falta de governança ao projeto de reator nuclear brasileiro

O diretor-presidente da ANSN (Autoridade Nacional de Segurança Nuclear), Alessandro Facure, afirmou que o (RMB) Reator Multipropósito Brasileiro, projeto considerado estratégico para a produção nacional de radiofármacos usados no combate ao câncer, sofre com falta de governança, descontinuidade de investimentos, além da demora histórica na execução.

Em entrevista ao Alta Voltagem, programa de TV da CNN Infra, Facure classificou o empreendimento como mais uma vítima da dificuldade do país em levar projetos estruturantes adiante no ritmo adequado.

“O reator multipropósito brasileiro sofreu um processo de descontinuidade de investimentos muito grande e falta de governança. Então isso teria que ser abraçado e visto como uma política de Estado para que se implementasse isso em prol da saúde da população”, afirmou.

Prometido há quase duas décadas, o RMB será capaz de produzir radioisótopos – elementos radioativos que são base para a produção de radiofármacos, remédios usados em exames e terapias contra o câncer.

Apesar da relevância estratégica do projeto, o Brasil ainda segue distante de disponibilizar a estrutura para a população.

O empreendimento é conduzido pela Cnen (Comissão Nacional de Energia Nuclear) e acumulou, entre 2008 e 2025, uma sequência de cronogramas alterados, revisões técnicas, interrupções orçamentárias, reinício de etapas e discussões sobre infraestrutura, gestão e governança.

O projeto deverá custar cerca de R$ 5 bilhões. Facure afirmou que o processo de licenciamento ainda possui centenas de pendências regulatórias e disse que, neste momento, a ANSN não tem condições de prever quando o projeto poderá sair do papel.

Enquanto o RMB não avança, o Brasil permanece dependente da importação de radioisótopos. Atualmente, praticamente todo o abastecimento nacional vem da Holanda, da Rússia e, em menor escala, de Israel.

A dependência externa preocupa diante do cenário geopolítico internacional. Rússia e Israel estão envolvidos em conflitos e tensões que podem afetar o fornecimento dos insumos usados pela medicina nuclear brasileira

Fonte: cnnbrasil.com.br

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