Casas Bahia tem prejuízo de R$ 1 bi no 1º tri, mas melhora operacional

A Casas Bahia teve prejuízo líquido de R$ 1,06 bilhão no primeiro trimestre, pressionado pelo resultado financeiro, mas o desempenho ​operacional mostrou evolução.

“Nosso ‘approach’ (estratégia) para o ano é ser mais conservador na concessão ​de crédito, na tomada de risco, nas compras com fornecedores”, afirmou o presidente-executivo da companhia, Renato Franklin, citando o ambiente macroeconômico desafiador.

O executivo destacou que a empresa conseguiu fazer movimentos que tiraram pressão de curto prazo da companhia, que permitem à empresa não ter que vender ativos a qualquer preço e não ter que dar crédito a qualquer pessoa.

“A demanda de crédito está alta, mas com mais risco.”

Franklin observou que no mês de abril e no começo de maio não houve um incremento de demanda em TVs no mercado como ⁠era previsto no começo do ano em razão da ​Copa do Mundo.

“Nós estamos crescendo muito em TVs, mas porque o meu ‘share’ no ‘e-commerce’ era baixo, porque eu não tinha ​uma penetração de crédito tão grande do e-commerce ano passado quanto eu tenho hoje; e não estava presente em alguns canais ⁠que eu estou hoje…mas o mercado não está crescendo ainda”, disse.

“O ⁠macro está mais desafiador do que o pessoal imagina…Preferimos ser conservadores, abrir mão de oportunidades de crescimento ​e ‌focar naquilo que conseguimos fazer sem apostas”, afirmou.

“Nós vamos ter um segundo trimestre que tem sim o impulso do Dia das Mães e ⁠de Copa do Mundo, mas pé no chão, acho que sem euforia”, afirmou.

Franklin destacou que para o segundo semestre há uma perspectiva de mercado de melhora no ambiente macroeconômico e citou eventos como eleições e fatores que podem ajudar a base da pirâmide social e a companhia.

“Mas ‌a ⁠nossa visão de curto ‌prazo é conservadora.”

No primeiro trimestre, a receita líquida das Casas Bahia cresceu 6,1% em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 7,4 bilhões, enquanto as despesas com vendas, gerais e administrativas tiveram alta de 5,4%, para 1,7 bilhão.

A margem bruta da companhia ficou em 30,3%, de ⁠30,2% um ano antes.

A receita bruta na vendas online avançou 24%, para ⁠quase R$ 3,3 bilhões, com expansão de 26,4% no canal próprio (1P), para R$3 bilhões. A receita bruta das lojas físicas somou quase R$ 5,6 bilhões, declínio de 1,8%.

Juros pesam

O Ebitda ajustado (lucro ‌antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Casas Bahia totalizou R$ 597 milhões, aumento de 4,7% ano a ano, com a margem nessa linha passando de 8,2% para 8,1%.

Mas a alta taxa de juros, refletida no aumento do CDI médio de 12,94% no primeiro trimestre de 2025 para 14,86% no período de janeiro ao final de março deste ano pressionou o resultado financeiro, que ‌ficou negativo em R$ 1,2 bilhão, 27% maior do que o mesmo período do ano passado, apontou a companhia.

Isso explica a piora no prejuízo, que um ano antes tinha sido de R$ 408 milhões.

Franklin destacou o fluxo de caixa livre da firma, de R$ 852 milhões, ⁠afirmando que representa um ponto de inflexão, embora o saldo final, quando incluída a parte financeira, ainda mostre um consumo de caixa de R$ 224 milhões, devido ao pagamento de juros e captações, apesar da melhora da rentabilidade e eficiência da operação.

A companhia também manteve sua alavancagem financeira ​quase estável, em 0,5 vez, de 0,4 vez no último trimestre do ano passado.

“Nós saímos daquela fase que tinha um risco grande, tinha ​uma estrutura muito alavancada e outros desafios e entramos numa fase agora onde temos que provar que somos capazes de gerar valor”, afirmou o presidente-executivo da varejista.

Franklin citou como meios para obter tal resultado o aumento na escala do canal online próprio (1P), crescimento em soluções financeiras e monetização da logística, “que pode ser um grande diferencial da companhia ‌no longo prazo”.

Fonte: cnnbrasil.com.br

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