Diretor de RI da Casas Bahia: Ainda temos desafios no resultado financeiro

A Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 1,06 bilhão no primeiro trimestre de 2026, pressionado pelo resultado financeiro. Por outro lado, o desempenho operacional da varejista mostrou evolução, com a receita líquida crescendo 6%, atingindo R$ 7,4 bilhões no período.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da companhia foi de R$ 597 milhões, representando um aumento de 4,7% na comparação anual. As vendas online avançaram na contramão das lojas físicas, que apresentaram certa estabilidade.

Processo de transformação e desafios financeiros

Gabriel Succar, diretor de Relações com Investidores da Casas Bahia, comentou os números em entrevista exclusiva ao CNN Money e destacou os desafios que ainda persistem.

Segundo Succar, a companhia vem conduzindo um processo de transformação relevante, com nove trimestres consecutivos de melhora de margem.

“Ainda temos muitos desafios no resultado financeiro”, afirmou.

Ele destacou que a dívida líquida caiu 68% no trimestre, e a alavancagem recuou de 1,8 vezes para 0,5 vezes o Ebitda. No entanto, custos financeiros remanescentes de uma estrutura de capital antiga ainda pesam sobre o balanço.

“A gente sofre um pouco ainda com o custo no tempo dos juros alto”, disse Succar, acrescentando que o ambiente macroeconômico torna o processo de melhora de margem mais lento.

A expectativa é que, ao longo de 2026, a redução dos spreads nas principais linhas de financiamento contribua para diminuir o prejuízo líquido, com uma situação “totalmente diferente” projetada para 2027.

Substituição de linhas de crédito e geração de caixa

A companhia vem trabalhando na substituição de linhas mais caras por opções mais baratas.

Succar informou que o custo financeiro da linha do crediário já está 3,5 pontos percentuais melhor do que há um trimestre, e outras linhas de capital de giro também registraram reduções de 3 a 4 pontos percentuais.

O processo de renovação completa da carteira, no entanto, pode levar mais de um ano, dado que o prazo médio do carnê é de 14 meses.

O fluxo de caixa positivo de mais de R$ 800 milhões no trimestre também chamou atenção. Succar explicou que o resultado é fruto tanto de movimentos estruturais — como negociações com a indústria para alinhar prazos de estoques e fornecedores — quanto de fatores sazonais, como o Dia das Mães e a proximidade da Copa do Mundo.

Copa do Mundo e perspectivas de demanda

Com o encerramento das campanhas do Dia das Mães, a Casas Bahia voltou seu foco de marketing integralmente para a Copa do Mundo. “A gente já começa a ver, sim, uma procura por televisão mais forte”, afirmou Succar.

Além das TVs, o executivo citou demanda por celulares e linha branca como categorias que também tendem a se beneficiar do evento, com restaurantes e consumidores renovando equipamentos para receber convidados.

Inadimplência e estratégia de crédito

Diante do avanço do endividamento das famílias brasileiras, a Casas Bahia adotou uma postura mais conservadora na concessão de crédito nas lojas físicas.

“A empresa teve que ser mais conservadora na concessão de crédito”, disse Succar, explicando que isso contribuiu para a diferença de desempenho entre o canal físico e o e-commerce no trimestre.

No ambiente online, a companhia identificou maior possibilidade de crescer a carteira de crédito com risco controlado.

Parcerias com plataformas digitais

A estratégia de vender por meio de plataformas como Mercado Livre e Amazon também foi abordada.

Succar afirmou que a companhia enxergou nessas plataformas um canal de vendas que atinge um público diferente, sem canibalizar sua própria base de clientes. As parcerias representam cerca de 5% do GMV total da companhia.

“Tem sido um ganha-ganha na nossa visão essas parcerias”, concluiu Succar, destacando que o tráfego no próprio site da Casas Bahia também cresceu como reflexo dessas iniciativas.

Varejo: como empreendedores podem acompanhar tendências

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Fonte: cnnbrasil.com.br

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