Flávio Bolsonaro tem papel de preservar influência familiar, diz Cortez

A escolha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato à Presidência da República está mais ligada a uma estratégia de manutenção de poder e preservação da influência do bolsonarismo do que a uma avaliação de competitividade eleitoral, avalia o cientista político Rafael Cortez, sócio da Tendências Consultoria e professor do IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa).

Segundo Cortez, em entrevista ao jornal WW, da CNN Brasil, esse contexto ajuda a explicar a reação do mercado financeiro após a divulgação de conversas envolvendo o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em meio a negociações de um repasse de R$ 134 milhões para financiar o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Cortez afirmou que a leitura dos investidores reflete preocupações sobre o impacto político do episódio e seus desdobramentos eleitorais. De acordo com ele, a crise tende a reforçar um cenário de alta rejeição já associado ao senador.

“O primeiro efeito dessa agenda negativa é a manutenção de uma taxa de rejeição do Flávio Bolsonaro, se não mais alta, muito próxima daquela que as pesquisas mostram também para o presidente Lula”, disse.

O professor do IDP, porém, considera que parte do mercado pode estar superestimando a possibilidade de mudanças rápidas na estratégia eleitoral da direita.

“Muito embora tenha uma racionalidade, essa preocupação do mercado de que o Flávio Bolsonaro não desistirá, essa leitura de que há viabilidade política em qualquer outro nome e de que esse timing de uma eventual desistência aconteceria no curto prazo me parece ainda muito exagerada”, afirmou.

O cientista político reforça que a escolha do senador não teria sido guiada por critérios eleitorais. “A ideia de que o Flávio foi escolhido por ter atributos que o colocariam como o nome mais competitivo para ganhar do governo Lula não me parece que tenha sido essa lógica”, argumentou.

Na avaliação do professor do IDP, a decisão esteve mais associada à preservação da influência política do grupo do que a uma construção de viabilidade eleitoral.

“Foi muito mais uma lógica de manutenção de poder, de prestígio do bolsonarismo, dessa influência da agenda familiar dentro da oposição, ou seja, o bolsonarismo como o grande protagonista do antipetismo, do que uma escolha baseada na maior chance do Flávio vencer”, declarou.

Rafael Cortez também destacou que o episódio amplia as incertezas sobre o cenário político. Ele também acrescenta que a estratégia de defesa ainda apresenta fragilidades.

“Quando vem essa agenda negativa, o áudio vazado, fica todo mundo meio se perguntando o que vai vir por aí. Por hora, se a gente pega as próprias palavras do Flávio e de sua defesa, essa estratégia ainda não para de pé, ainda parece ter muito buraco que vai alimentar certamente esse desgaste ao longo do tempo”, concluiu. 

Fonte: cnnbrasil.com.br

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