Putin se reúne com Xi Jinping frente a aproximação cada vez maior com China
Poucos dias depois de Donald Trump, o presidente da Rússia, Vladmir Putin, desembarcou em Pequim para novas reuniões com o líder chinês, Xi Jinping. Essa é a 25ª visita de Putin à China ao longo dos diversos mandatos como líder russo.
Desde então, ele estreitou os laços com Pequim em aspectos comerciais, militares e diplomáticos. Em mensagem à mídia estatal do país antes da viagem, Putin disse que as relações entre os países estão em uma proximidade “sem precedentes”.
Essa aproximação tomou mais forma a partir do início da Guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022. Desde então, a Rússia viu em Pequim um parceiro econômico importante diante de uma série de sanções do Ocidente e um aliado militar com quem pode realizar treinamento de forças armadas.
“China e Rússia estão mais próximas hoje do que nas últimas décadas”, diz o relatório do Instituto Mercator de Estudos sobre a China.
No aspecto militar, os dois países expandiram o número – e o tamanho – de seus exercícios conjuntos. Segundo o Mercator, desde 2003, ambos realizaram 97 atividades de defesa – sendo que 32 dessas ocorreram depois da invasão ao território ucraniano. Foram 11 manobras em 2024, que caíram para 7 em 2025 – mas que contaram “com o primeiro exercício submarino” das potências.
Os russos usaram Pequim como uma forma de “driblar” as punições dos EUA e da União Europeia com o início do conflito contra os ucranianos. Uma das formas foi expandindo o uso e as reservas do Yuan – moeda chinesa – para evitar o dólar.
Outra forma foi aumentar os negócios. Tanto que o volume total de comércio entre os dois países saiu de US$ 12 bilhões em fevereiro de 2022 para US$ 22 bilhões em março deste ano – um salto de 83%, segundo dados do Mercator.
Combustíveis fósseis – especialmente petróleo e gás – puxam as exportações. Esses processos ajudaram o Kremlin a ter uma sobrevida frente às sanções ocidentais, mas, ao mesmo tempo, deixam os russos mais dependentes da China.
Xi e Putin devem manter o setor energético em pauta. Eles devem tratar sobre o gasoduto Força da Sibéria 2, que está parado há anos e avançou somente em setembro de 2025. O conflito dos Estados Unidos no Oriente Médio traz certa impaciência ao tema, já que o fechamento do Estreito de Ormuz também bloqueou muitas compras chinesas.
Cenário para Putin
O presidente russo chega em Pequim com um cenário doméstico complicado.
A Rússia enfrenta dificuldades na guerra contra a Ucrânia, com poucos ganhos territoriais recentes e um alto número de soldados mortos. Os ucranianos também conseguem manter uma capacidade de resposta, com ataques de drones que atingem, inclusive, Moscou.
Nessa situação, Zelensky – em um decreto irônico – “permitiu” a realização do desfile do Dia da Vitória, em 9 de maio, que marca a vitória da União Soviética contra a Alemanha nazista, na capital russa. Os dois países tinham assinado um cessar-fogo de 3 dias para a comemoração na Rússia.
O desfile, dessa vez, foi bem esvaziado, sem tanques ou equipamentos militares dos outros anos.
A China parece não confiar nas operações do Kremlin. Segundo o jornal britânico Financial Times, Xi Jinping disse a Donald Trump, na semana passada, que Putin poderia “se arrepender” da invasão na Ucrânia.
As reações do exército de Volodymyr Zelensky assustam Putin. Segundo apurou a CNN, o governo russo aumentou a segurança pessoal do líder como parte de novas medidas motivadas por uma onda de assassinatos de figuras militares russas e por temores de um golpe de Estado.
Visitantes do chefe do Kremlin devem passar por duas revistas, e aqueles que trabalham próximos a ele só podem usar telefones sem acesso à internet, diz um relatório de uma agência de inteligência europeia.
Com isso, Putin chega na China em desvantagem frente a uma aliança onde ele já é o lado mais fraco.
Fonte: cnnbrasil.com.br
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