Quem é o soviético que ficou “esquecido” no espaço e foi salvo por alemães
Em 19 de maio de 1991, o cosmonauta e engenheiro de voo Sergei Krikalev decolou a bordo da nave Soyuz TM-12 com destino à estação espacial Mir. O que deveria ser uma missão de rotina de cinco meses transformou-se em uma permanência de 311 dias em órbita.
Enquanto Krikalev realizava experimentos no espaço, a União Soviética enfrentava um colapso político e econômico que culminou em sua dissolução em dezembro de 1991.
Relembre caso: Soviético ficou “esquecido” no espaço há 35 anos e foi salvo por alemães
Sem recursos financeiros para trazê-lo de volta no prazo previsto, o governo russo estendeu sua estadia até que uma solução fosse viabilizada.
O impasse político e a permanência prolongada
A permanência de Krikalev na estação Mir foi estendida em julho de 1991, quando ele aceitou continuar em órbita para aguardar a próxima tripulação, devido a cortes orçamentários que reduziram dois voos planejados a apenas um.
Durante esse período, o suporte terrestre e o financiamento do programa espacial entraram em um impasse burocrático decorrente da transição geopolítica da região.
O cosmonauta, que nasceu em Leningrado (atual São Petersburgo), viu sua cidade natal e seu país mudarem de nome e regime enquanto estava a mais de 300 quilômetros da Terra.
Durante o isolamento, ele disse em depoimento veiculado pela NASA, que se comunicava com operadores de rádio amadores e recebia notícias sobre a instabilidade política na Rússia através de sua esposa, Yelena.
O papel da Alemanha e o retorno à Terra
A saga de Krikalev, frequentemente chamado de “o último cidadão soviético”, só foi concluída em 25 de março de 1992.
O retorno foi possibilitado após a Alemanha pagar cerca de US$ 24 milhões à Rússia para enviar o piloto Klaus-Dietrich Flade à estação. Flade retornou à Terra na mesma cápsula que Krikalev e o comandante Alexander Volkov.
Ao pousar no Cazaquistão, Krikalev desembarcou em uma nação independente, portando um passaporte de um Estado que não existia mais.
Em depoimento, o cosmonauta disse que retornou fisicamente debilitado devido ao longo período em microgravidade, necessitando de um processo de reabilitação médica imediato.
Legado no setor aeroespacial
Apesar do incidente, Krikalev continuou sua carreira na agência espacial russa, acumulando um total de 803 dias no espaço ao longo de seis missões.
Ele participou de marcos históricos, como o primeiro voo conjunto entre Estados Unidos e Rússia no ônibus espacial Discovery (missão STS-60) em 1994, e a primeira montagem da Estação Espacial Internacional (ISS) em 1998.
Por seus serviços, recebeu os títulos de Herói da União Soviética e Herói da Rússia.
Fonte: cnnbrasil.com.br
Publicar comentário