“Senhor Copa”, Milton Naves entrou para história fazendo o que gostava
As grandes equipes têm sua história construída pelas conquistas e seus craques. Com o Primeiro Time do Rádio não é diferente.
A Itatiaia foi e é feita por quem honra a camisa e empunha com talento e emoção o microfone mais forte do Brasil.
Um representante clássico desse grupo é, sem dúvida, Milton Naves, que morreu neste sábado (16), em Belo Horizonte.
Mineiro de Ilicínia, no Sul do estado, ele nasceu em 1955, e não é coincidência ser exatamente o ano do primeiro título mundial da Seleção Brasileira.
Afinal de contas, o “Show de Bola”, marca maior de um narrador extremamente técnico e que desenhava o jogo para o ouvinte como poucos, foi de promessa a craque num período muito curto, e a Seleção e as Copas têm ligação direta com essa trajetória de sucesso.
Em 1974, quando ainda cursava o ensino médio, foi levado pela mãe para participar de testes na Rádio Cultura de Alfenas, cidade para onde mudou ainda criança. Com 17 anos, depois de superar 34 concorrentes, já era radialista e tinha início uma das carreiras mais brilhantes e corretas da imprensa mineira.
Aos 20 anos se mudou para Belo Horizonte contratado pela Rádio Guarani. Grande descobridor de talentos, Osvaldo Faria logo o contratou para trabalhar na Itatiaia como narrador, redator apresentador e coordenador.
Sim, um garoto de 21 anos exercia todas essas funções numa potência do rádio brasileiro. E isso explicita o tamanho de Milton Naves, um profissional marcado pela correção, que sempre foi companheiro na expressão da palavra e que tinha um português extremamente correto, que ficava ainda mais evidente na potência da sua voz.
Ele dizia que era fruto da amizade com Lincoln Westin da Silveira, seu professor de língua portuguesa na juventude e que o encorajou a seguir a carreira na comunicação, deixando de lado o vestibular para odontologia.
No dia em que completou 22 anos, Milton Naves desembarcou em Montevidéu, no Uruguai, para cobrir pela Itatiaia o Mundialito promovido pelos nossos vizinhos em dezembro de 1980 e janeiro de 1981, e que contou com seis seleções (Brasil, Argentina, Uruguai, Alemanha, Itália e Holanda).
Em junho de 1982, estava na Espanha fazendo sua primeira Copa do Mundo, com direito a narrar o primeiro tempo da final entre Itália e Alemanha, no lendário Santiago Bernabéu, em Madrid, dividindo o microfone com Willy Gonser, um dos seus ídolos e que era tratado por ele como: “Professor”.
A partir daí, uma convocação certa para as Copas do Mundo era Milton Naves. Foram 9 na carreira. Depois de 1982, cobriu a Copa de 1990 e marcou presença em todos os Mundiais seguintes até 2018, na Rússia. E ele sempre fazia questão de dizer: 9 Copas e 6 finais transmitidas.
Com uma polivalência destacada, ele não só narrava jogos. Milton Naves apresentou por mais de 35 anos o Rádio Esportes, programa líder de audiência na hora do almoço. Além disso, ancorava Jornadas Esportivas, redigia programas e apresentava o Troféu Guará, uma marca na carreira.
Numa entrevista a estudantes, Milton Naves afirmou: “Não tenha vergonha de ser honesto. Não é possível que um dia não valha a pena”. Não era apenas uma frase, mas uma máxima que marcou a trajetória do “Show de Bola”.
Não é coincidência que num ano de Copa do Mundo Milton Naves se vá.
Ele faz parte da história da maior competição do planeta e estará representado nos Estados Unidos, México e Canadá por centenas, talvez milhares de narradores e narradoras que quando a bola rolar terão a mesma sensação que fez ele criar uma frase para a eternidade: “Estou fazendo o que gosto, transmitindo um jogo de bola”.
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Fonte: cnnbrasil.com.br
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