StoneX lança ferramenta inédita para dar previsibilidade ao setor lácteo
A cadeia brasileira de lácteos passará a contar, pela primeira vez, com uma estrutura de hedge desenhada especificamente para o mercado nacional. A ferramenta foi lançada nesta terça-feira (13) pela StoneX, em parceria com o Cepea (Centro de Estudos em Economia Aplicada) USP e com apoio da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária, em uma tentativa de ampliar a previsibilidade de preços e reduzir a exposição à volatilidade que historicamente marca o setor leiteiro brasileiro.
O instrumento funcionará no modelo OTC (over the counter), mais conhecido como mercado de balcão, em que a StoneX atua como intermediadora entre compradores e vendedores.
Mas diferentemente de contratos futuros padronizados negociados em bolsa, o modelo permite operações customizadas para produtores, cooperativas, indústrias, tradings e empresas expostas às oscilações de preços do leite e derivados.
“O setor de lácteos foi um dos últimos grandes segmentos de commodities a incorporar ferramentas estruturadas de gestão de risco”, afirma Marianne Tufani, manager da StoneX Leite Brasil. Segundo ela, a crescente influência do mercado internacional sobre os preços domésticos tornou mais difícil para empresas e produtores planejarem margens e investimentos de longo prazo.
A nova estrutura utilizará indicadores do Cepea como referência para liquidação financeira dos contratos. Na fase inicial, estarão disponíveis operações vinculadas a quatro produtos: leite UHT, queijo muçarela, leite em pó integral industrial e leite ao produtor.
Os contratos terão liquidação mensal e poderão ser negociados em prazos de até 12 meses. O leite UHT e a muçaarela utilizarão como referência indicadores da região Sudeste; o leite em pó integral terá base São Paulo; e o leite ao produtor será indexado à média Brasil calculada pelo Cepea.
Os volumes-padrão definidos para os contratos são:
- de 40 mil litros para leite ao produtor,
- 4 mil litros para leite UHT,
- 4 mil quilos de queijo muçarela
- 5 toneladas para leite em pó integral industrial.
“Como se trata de um mercado OTC, os contratos também poderão ser fracionados conforme a necessidade das partes”, explica Marianne.
A StoneX é uma instituição financeira que atua em mais de 20 países em mais de 40 bolsas de derivativos. No ano fiscal de 2025, a companhia registrou receita operacional de US$ 4,1 bilhões e volume negociado de US$ 5,3 trilhões. A empresa afirma concentrar cerca de 60% dos contratos globais de hedge em lácteos, mercado no qual atua há mais de 30 anos.
Hoje, algumas multinacionais do setor já utilizam instrumentos de hedge em bolsas internacionais, principalmente em Chicago, Europa e Ásia. No entanto, segundo a StoneX, essas operações normalmente são estruturadas de forma global e apresentam limitações de correlação com a dinâmica específica do mercado brasileiro.
A avaliação da empresa é que o uso de indicadores domésticos tende a aumentar a aderência dos contratos à realidade do setor nacional. A StoneX afirma que a estrutura lançada no Brasil replica um modelo já consolidado em mercados internacionais de lácteos.
A expectativa inicial é atrair grandes indústrias e cooperativas, que devem fornecer liquidez às primeiras operações. A empresa também aposta, no médio prazo, na entrada de bancos, fundos e investidores financeiros, à medida que o mercado ganhe escala.
Para Jônadan Ma, presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, a iniciativa poderá ajudar produtores a melhorar o planejamento financeiro e reduzir a imprevisibilidade da atividade.
“É uma ferramenta que já existe nos principais países produtores e que chega ao Brasil para modernizar o mercado de leite”, afirma.
Segundo ele, a CNA formou em 2024 um grupo de trabalho com produtores, cooperativas, indústrias e especialistas para discutir a viabilidade da ferramenta e sua implementação no mercado brasileiro.
A pesquisadora do Cepea, Natália Grigol, afirma que a cadeia leiteira passou por transformações profundas nas últimas décadas, com aumento da produtividade, intensificação tecnológica e maior complexidade concorrencial, enquanto a comercialização continuou marcada por volatilidade e incertezas. “O hedge surge como uma ferramenta essencial para transformar incerteza em previsibilidade”, diz.
Além da operação de hedge, os clientes também terão acesso a suporte consultivo da StoneX, com análises de mercado, definição de estratégias e acompanhamento contínuo das operações.
Fonte: cnnbrasil.com.br
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