Temos que ter cuidado se até detergente vira confusão, diz Dino
O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), disse nesta quarta-feira (13) ser preciso tomar cuidado com os posicionamentos e recortes de vídeos quando “até detergente vira confusão”. Recentemente, circularam nas redes sociais vídeos de apoiadores da direita bebendo produtos da marca Ypê em reação à decisão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de suspender produtos da marca.
A declaração ocorreu uma audiência na Suprema Corte sobre transparência e rastreabilidade de emendas parlamentares. Uma das especialistas presentes apresentava questões sobre o SUAS (Sistema Único de Assistência Social) quando Dino ironizou a relação entre STF e PGR (Procuradoria-Geral da República).
“[Estamos com questões porque] Não há clareza quanto à governança na alocação desse expressivo montante de recursos”, começou. “Estamos com essa questão, acho que pendente, doutora. Não sei se nós já enviamos para a PGR, porque, quando a gente não sabe exatamente para onde mandar, a gente manda para a PGR, porque a gente tem esperança de que eles saibam”, ironizou.
Em seguida, Dino questionou a própria declaração e falou: “Tenho que tomar muito cuidado porque recorta, tudo recorta. Quando até detergente vira confusão, a gente tem que ter muito cuidado com tudo [que fala]. A gente tem que ter cuidado com os cortes [de vídeo]”.
Relator da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 854, que trata da transparência e da rastreabilidade das emendas parlamentares, Dino convocou a audiência com o objetivo de ampliar o debate a partir de estudos científicos que demonstram falhas persistentes na alocação dos recursos.
Na decisão, o ministro cita um levantamento realizado Movimento Orçamento Bem Gasto que demonstrou que nenhuma das emendas avaliadas alcançou pontuação suficiente para ser classificada com nível alto de relevância e transparência.
Flávio Dino afirmou que, apesar de o mérito das ações já ter sido julgado em 2022, seguem sendo necessárias medidas para garantir o cumprimento das exigências de transparência e na rastreabilidade do processo orçamentário e da execução das emendas.
Entenda o caso envolvendo a Ypê
Na última semana, após a resolução da Anvisa que suspendeu a fabricação e determinou o recolhimento de lotes de lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes da marca com numeração final 1, apoiadores da direita passaram a postar vídeos comprando produtos da marca e, em alguns casos, ingerindo detergente para contestar a decisão da agência reguladora.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) também publicou uma foto do produto.
A circulação dos conteúdos ocorre após a repercussão de que os donos da empresa fizeram doações para a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022. Apoiadores de Bolsonaro acreditam que a motivação para a suspensão dos produtos foi ideológica.
A decisão da Anvisa ocorreu após uma avaliação técnica identificar irregularidades em etapas consideradas críticas do processo produtivo.
Na sexta-feira (9), os produtos foram liberados novamente após recurso apresentado pela empresa. Apesar disso, a recomendação para que consumidores evitem o uso dos itens citados na resolução permanece válida até a conclusão do processo de recolhimento.
Ministro da Saúde alerta sobre riscos da ingestão de detergente
No início da semana, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também se manifestou sobre o assunto e disse que “a Anvisa não tem lado de governo, não tem lado partidário, não tem lado A ou B”.
O ministro pediu, ainda, que as pessoas não ingiram detergente de nenhuma marca” e “muito menos faça videozinho sobre isso”. “É desinformação e coloca vidas em risco”, acrescentou.
Segundo Padilha, a análise sobre os produtos passou pelo setor de vigilância sanitária do estado de São Paulo, governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de Bolsonaro.
Além disso, destacou que o diretor da Anvisa responsável pela área que recomendou a suspensão, Daniel Meirelles, foi indicado durante o governo do ex-presidente.
“O diretor responsável por essa área na Anvisa foi indicado por Bolsonaro, foi assessor e secretário-executivo de um ministro do governo Bolsonaro e está cumprindo um papel técnico dentro da agência”, afirmou.
Fonte: cnnbrasil.com.br
Publicar comentário