Soja e carnes são destaques nas exportações do agro, diz Neves
As exportações do agronegócio brasileiro atingiram US$ 16,65 bilhões em abril, o maior valor registrado para o mês desde o início da série histórica, em 1997.
O resultado representa um crescimento de 11,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o Ministério da Agricultura, e equivale a quase metade de todas as exportações brasileiras do mês.
Marcos Fava Neves, colunista da CNN Agro, analisou os dados e destacou que, apesar do desempenho expressivo em dólares, o efeito do câmbio sobre as margens dos produtores merece atenção. “No meio de tantas notícias complicadas no Brasil, o agro vem sempre trazendo bons resultados”, afirmou.
Ele explicou que, convertendo os valores em reais, a comparação com abril do ano anterior revela um quadro menos favorável: com o câmbio médio de R$ 5,70 vigente em abril de 2025 e o atual de R$ 5,00, as exportações em moeda nacional teriam recuado cerca de 3% a 4%, pressionadas ainda por custos mais elevados de diesel, contêineres, frete internacional e seguros.
Soja, carnes e óleo de soja se destacam
Neves apontou os principais setores ganhadores no primeiro quadrimestre do ano.
A soja registrou crescimento de 8% em volume e 6% em preço. O óleo de soja surpreendeu positivamente, com alta de 47% em quantidade e 12% em preço, movimento que, segundo Neves, está associado à demanda por biodiesel em outros países. “É uma grande oportunidade para o Brasil também produzir e exportar o próprio biodiesel a partir do óleo de soja”, destacou.
As carnes também figuraram entre os destaques. A carne bovina apresentou crescimento de 15% em volume e 17% em preço. O frango registrou alta de 4% em quantidade e 2% em preço, enquanto o suíno avançou 14% em volume, com preço 1% maior.
Milho e algodão também estão entre os setores com desempenho positivo no período.
Café, etanol e açúcar entre os perdedores
Em contrapartida, alguns setores registraram queda expressiva.
O café apresentou retração de 25% em volume e cerca de 10% em preço. O etanol surpreendeu negativamente, com redução de 50% em quantidade, apesar de preço 8% maior.
“Do mesmo jeito que o óleo de soja nos surpreendeu no sentido de estar sendo mais exportado, nós não observamos a mesma coisa acontecendo no etanol”, disse Neves.
O setor de fumo e o açúcar também registraram desempenho fraco, com exportações cerca de 10% menores em média e preços 20% inferiores.
Projeção para o ano e riscos cambiais
Com US$ 55 bilhões já exportados no primeiro quadrimestre, Neves estimou que o Brasil pode se aproximar de US$ 170 bilhões em exportações do agronegócio ao longo de 2026.
“É um número bom para um ano de contração, para um ano de desequilíbrio por conta de todos esses conflitos”, avaliou.
Ao comentar sobre os riscos à frente, Neves alertou que uma eventual valorização mais intensa do real representa um dos principais temores do setor.
Segundo ele, enquanto o preço das commodities cai de forma imediata com a apreciação da moeda, os custos de produção demoram mais para recuar, já que os insumos importados com câmbio mais elevado ainda estão nos estoques. “Um dos grandes medos do agro para esse ano é a gente acabar terminando o ano com um câmbio de R$ 4,70, R$ 4,75″, concluiu.
Fonte: cnnbrasil.com.br
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