Fazenda eleva projeção para PIB do agro para 1,2% em 2026

O MF (Ministério da Fazenda) elevou de 0,5% para 1,2% a projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) da agropecuária em 2026. A revisão consta no Boletim MacroFiscal de maio divulgado nesta segunda-feira (18) pela SPE (Secretaria de Política Econômica).

No relatório divulgado em fevereiro, a SPE projetava crescimento de apenas 0,5% para o agro neste ano, diante da expectativa de menor produção de milho e arroz e redução da contribuição do abate bovino.

A nova estimativa veio acompanhada de uma melhora na avaliação para o desempenho do setor no primeiro trimestre deste ano. Segundo a SPE, houve melhora na expectativa para o primeiro trimestre e pelos dados mais recentes do LSPA (Levantamento Sistemático da Produção Agrícola) e das pesquisas de abate.

“O PIB da agropecuária manteve sua projeção, em linha com as divulgações mais recentes do LSPA e das pesquisas de abate. Após crescer 0,2% no quarto trimestre, projeta-se avanço de cerca de 2,6% na margem para o setor, refletindo o desempenho das culturas com maior peso no primeiro trimestre, soja e fumo, e o bom resultado do abate de bovinos”, afirmou a secretaria.

A SPE manteve a projeção de avanço de 2,6% para o PIB agropecuário na comparação trimestral, puxado principalmente pela soja, fumo e pecuária bovina. Na comparação anual, a expectativa é de alta de 1,7% no período.

A Fazenda manteve a projeção de crescimento de 2,3% para o PIB brasileiro em 2026, mas alterou a composição da atividade. A agropecuária segue em desaceleração após a safra recorde de 2025, porém com desempenho melhor do que o previsto anteriormente.

Pressão nos alimentos

Apesar da revisão positiva para o PIB do setor, o governo passou a prever pressão maior dos alimentos sobre a inflação.

Segundo o boletim, a inflação acumulada em 12 meses do grupo alimentação no domicílio saiu de -0,1% para 1,3% entre fevereiro e abril, puxada por carnes, leite, arroz e alimentos in natura, especialmente tubérculos.

“Diferentemente de 2025, em 2026 os preços de alimentos devem deixar de contribuir para a queda da inflação, refletindo fatores estruturais, especialmente ligados ao ciclo do boi, impactando carnes, leite e derivados, e produtos semielaborados”, afirmou a SPE.

Com isso, a projeção do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subiu de 3,6%, estimada em fevereiro, para 4,5% no relatório de maio.

Segundo a SPE, a piora reflete principalmente os efeitos da alta do petróleo após o agravamento do conflito no Oriente Médio, com impactos sobre combustíveis, transporte, fertilizantes e cadeia de alimentos.

“A inflação acumulada em 12 meses medida pelo IPCA avançou de 3,8% em fevereiro para 4,4% em abril, repercutindo principalmente a aceleração nos preços de bens monitorados e alimentos”, destacou o documento.

Risco climático

O documento também cita risco climático para a próxima safra. A SPE alerta que a maior probabilidade de ocorrência de El Niño na segunda metade do ano e o prolongamento da alta dos fertilizantes podem pressionar a safra de 2027 e antecipar parte dos impactos ainda para este ano.

“A maior probabilidade de ocorrência de el niño na segunda metade do ano, e o prolongamento do choque nos preços de fertilizantes, são vetores que podem impactar em maior medida a safra de 2027 e pressionar a inflação de alimentos, com alguma antecipação ainda para este ano”, completou a secretaria.

Fonte: cnnbrasil.com.br

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