Rei da bola parada: Arsenal muda estilo para finalmente ser campeão inglês
O Arsenal encerrou a espera de 22 anos pelo título da Premier League com uma ironia marcante. O time de Mikel Arteta não se apoiou apenas no estilo vistoso do passado, mas na eficiência pragmática das bolas paradas.
A eficiência nesses lances, somada às lesões no ataque e às defesas fechadas dos rivais, virou a base do poder ofensivo da equipe. Assim, o Arsenal se transformou em um candidato frio e letal ao título, capaz de decidir jogos em detalhes.
Isso não significou abandonar totalmente os princípios ofensivos. A mudança surgiu da necessidade de enfrentar adversários recuados, que reduziam os espaços perto da área e dificultavam a criação tradicional.
Após três temporadas como vice, Arteta percebeu que era preciso mudar para voltar a erguer o troféu pela primeira vez desde os “Invincibles” de Arsene Wenger, em 2003-04.
Mudança tática foi decisiva na Premier League
O técnico espanhol não alterou a identidade do clube, mas ampliou o repertório ofensivo. Na Champions League, o time marcava gols com facilidade em jogos mais abertos, mas o cenário doméstico exigia soluções diferentes.
“Gostaria de jogar com três jogadores extras no meu campo para produzir um futebol bonito. Essa não é a realidade”, disse Arteta em março, destacando a dificuldade da Premier League.
“Se você quer ver esse futebol, precisa ir para outro país, porque na Premier League, nas últimas duas ou três temporadas, não é assim”, completou o treinador.
Ao confiar no treinador de bolas paradas Nicolas Jover, Arteta encontrou algo menos romântico, porém decisivo para a campanha.
Números recordes em bolas paradas
Os números comprovam a mudança: o Arsenal marcou 24 gols em bolas paradas na liga, superando o recorde de campeões que era do Manchester United em 2012-13.
Os 18 gols de escanteio ultrapassaram qualquer marca anterior em uma temporada, segundo a empresa de dados Opta.
O time também teve a maior porcentagem de gols em lances de bola parada entre campeões, com 36%, alimentando o debate sobre a ideia de “vencer feio”.
Questionado sobre a dependência desses gols, Arteta foi direto: “Fico chateado por não marcarmos mais!”
Caos na área virou marca registrada
A comemoração por um escanteio passou a gerar ansiedade nos rivais. O Arsenal aperfeiçoou a criação de caos na área sempre que Declan Rice ou Bukayo Saka levantavam o braço antes do cruzamento.
As jogadas são executadas com precisão clínica, usando bloqueios, distrações e pequenos truques difíceis de detectar até pelo VAR.
A transformação também mudou o perfil físico da equipe, agora imponente desde o túnel antes do apito inicial, em contraste com os times frágeis do início da era Emirates Stadium.
Corridas pelo título costumam ser decididas em momentos-chave. O Arsenal bateu o recorde de gols decisivos em escanteios já em março e agora se prepara para enfrentar o Paris Saint-Germain na final da Champions League, teste máximo da eficiência que definiu a temporada.
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Fonte: cnnbrasil.com.br
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