Southampton pode sofrer maior punição após caso de espionagem
Diversas equipes esportivas ao redor do mundo já pagaram caro por espionagem contra adversários ao longo dos anos, mas o custo financeiro enfrentado pelo clube inglês Southampton pode se tornar o mais pesado da história.
O Southampton foi excluído da final dos playoffs da Championship pela English Football League (EFL) nesta terça-feira (19), após admitir que filmou treinamentos de outros clubes, incluindo o Middlesbrough, seu adversário na semifinal.
A decisão tem impacto enorme porque a final dos playoffs costuma ser chamada de “a partida mais rica do futebol”, já que o vencedor garante acesso à Premier League e receitas futuras estimadas em cerca de 200 milhões de libras (cerca de R$ 1,2 bilhão).
Conhecido como “The Saints” e sediado na costa sul da Inglaterra, o Southampton pretende recorrer da severidade da punição. Caso a sanção seja mantida, as consequências financeiras superarão qualquer penalidade anterior relacionada à espionagem no esporte.
Exemplo na Fórmula 1
Um dos casos mais emblemáticos aconteceu na Fórmula 1, quando a equipe McLaren foi multada em 100 milhões de dólares (R$ 504 milhões) em 2007 por receber uma cópia confidencial do projeto do carro da Ferrari, vazada por um ex-funcionário descontente da escuderia italiana.
O caso veio à tona depois que um engenheiro da McLaren pediu à esposa que fotocopiasse o documento. Ela levou o material a uma copiadora, mas o funcionário do local era torcedor da Ferrari e avisou imediatamente a equipe italiana.
Além da multa recorde, a McLaren perdeu todos os pontos do campeonato de construtores daquela temporada. No Mundial de pilotos, o finlandês Kimi Raikkonen, da Ferrari, superou os pilotos da McLaren Lewis Hamilton e Fernando Alonso na última corrida do ano e ficou com o título.
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Caso na NBA
O termo “Spygate” ganhou notoriedade nos Estados Unidos em 2007, quando o New England Patriots, da National Football League, foi punido em 250 mil dólares (R$ 1,2 milhão) por filmar sinais dos treinadores adversários de um local não autorizado durante partidas.
Os Patriots, que haviam conquistado três títulos do Super Bowl naquela década, também perderam uma escolha de primeira rodada no Draft de 2008, enquanto o técnico Bill Belichick recebeu multa recorde de 500 mil dólares (R$ 2,5 milhões).
A franquia voltou a ser punida em 2020, recebendo multa de 1,1 milhão de dólares (R$ 5,5 milhões) após admitir que sua equipe de televisão filmou à beira do campo uma partida entre Cincinnati Bengals e Cleveland Browns.
Um caso semelhante no beisebol custou ao Houston Astros multa de 5 milhões de dólares (R$ 25 milhões) depois que investigação da Major League Baseball concluiu que o clube utilizou um sistema de câmeras para roubar sinais de adversários nas temporadas de 2017 e 2018.
A MLB também retirou escolhas de draft da franquia e suspendeu por longos períodos o técnico A.J. Hinch e o gerente-geral Jeff Luhnow, embora o título da World Series de 2017 tenha sido mantido.
Vigilância com drones
O caso mais recente de grande repercussão no futebol ocorreu nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, quando integrantes da seleção feminina do Canadá foram acusados de usar drones para observar treinamentos da Nova Zelândia.
A Fifa retirou seis pontos da equipe canadense durante a fase de grupos — a seleção defendia a medalha de ouro olímpica — e multou o Canadá em cerca de 226 mil dólares (R$ 1,1 milhão)
A treinadora Bev Priestman acabou demitida e recebeu suspensão de um ano aplicada pela Fifa por “conduta ofensiva e violação dos princípios do fair play”.
Caso houvesse Southampton sobre a proibição de espionar treinamentos rivais, bastava recordar o episódio de 2019 envolvendo o Leeds.
Na ocasião, o então técnico argentino Marcelo Bielsa convocou uma entrevista coletiva para afirmar que enviar funcionários para observar adversários fazia parte de sua preparação para os jogos e que a prática era comum em outras partes do mundo.
Mesmo assim, a English Football League multou o Leeds em 200 mil libras (R$ 1,2 milhão) por violar uma regra que determinava que os clubes deveriam “agir uns com os outros e com a liga com a máxima boa-fé”.
Para reforçar a medida, a liga anunciou posteriormente uma nova regra proibindo a observação de treinamentos adversários até 72 horas antes das partidas.
Foi justamente essa regra que o Southampton foi considerado culpado de infringir nesta terça-feira.
Fonte: cnnbrasil.com.br
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